Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Quando o tema é racismo todos sem excepção alardeiam uma estupidez que não lhes é natural. Há temas assim, se calhar, onde ninguém se sente confortável e acaba a comportar-se como um anormal.

 

O comportamento daqueles 4 ou 5 moradores do bairro da Jamaica é deplorável e estúpido.
Generalizar o comportamento daqueles 4 ou 5 moradores para todos os moradores do Bairro da Jamaica e de outros bairros é estupido.
A reacção daqueles 4 ou 5 policias é inaceitável e estúpida.
Generalizar a reação daqueles 4 ou 5 polícias para todos os polícias é estúpido.
Os atos subsequentes de vandalismo são condenáveis e estúpidos.
As reações que se foram conhecendo de alegados agentes na redes sociais são estúpidas.
As palavras do Mamadou Ba são estúpidas.
As explicações para as palavras dadas pelo próprio Mamadou Ba são patéticas e ligeiramente estúpidas.
A espera dos estúpidos do PNR ao Mamadou Ba é um caso de polícia.
O General que pede extradição de Mamadou Ba só pode ser senil. Há uma condição médica em que a senilidade pode ser desculpa para estupidez e isto é uma excepção neste post.
A pergunta da Assunção Cristas é absurda e estúpida.
A resposta do António Costa é extemporânea e estúpida.

 

Toda a gente reage estupidamente a isto e a razão é a de sempre: entenderem que a escolha de um lado os impede reconhecer méritos ao outro e deméritos ao seu.
A vertigem de ser diferente (quantas vezes ouvimos a expressão “politicamente correcto” por estes dias) criou dois estereótipos de gente igual e extremada nas suas posições radicais e mesquinhas.

 

Ataca-se o Mamadou Ba defendendo as cargas policiais.

Atacam-se as cargas policiais desculpando as atitudes dos 4 ou 5 moradores do Bairro da Jamaica.

Ataca-se a Assunção Cristas defendendo a indesculpável recção de Costa.

Ataca-se Costa sem estranhar e condenar a pergunta de Assunção Cristas.

 

A única coisa que é verdadeiramente estúpida é existirem racistas, em qualquer dos lados da barricada, e ninguém, mesmo os reconhecidamente não racistas, conseguirem agir com normalidade perante tudo isto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Inovação em Portugal

por Fulano de Tal, em 11.12.15

Encontro Nacional de Inovação, há meia dúzia de dias.

600 Inscritos. Mais de 90% de fato e gravata. Todos cinzentos e azuis. Média de idades ronda os 60 anos. Automóvel mais frequente: BMW série 5 (e acima). Motoristas. Muitos. Cerimónia de encerramento pelo Presidente Cavaco. Local: Culturgest.

Lêem-se discursos a partir de folhas de papel. Não faltam os ministros, secretários de estado. Ouvi mesmo um agradecimento à presença dos “representantes do corpo diplomático”. Que raio fazem aqui? Convidados a orar, empresas que gastam muito dinheiro em inovação.

Entretanto lá fora putos que andam de bicicleta desenvolvem, sem dinheiro, ideias geniais. Não podem participar porque não têm gravata, nem BMW, nem motoristas que os tragam até aqui. Mesmo que tivessem não podiam discursar, encantar-nos com as suas ideias e entusiasmo. Porque não conseguem provar perante conselhos consultivos que ideias e entusiasmo valem muito mais que dinheiro.

Felizmente este não é o retrato da Inovação em Portugal. Este nem é um retrato. É um quadro. Pintado por quem se apoderou da palavra Inovação, mas é incapaz de se apoderar do seu significado. Um quadro fatela e sem chispa nenhuma.

Falam de startups. Aposto que não conhecem nenhuma. Apetece-me perguntar ao ministro “Sôtor Caldeira Cabral, diga-me aí o nome de uma startup”.

Entra o CEO da Frulact.

"Nós na Frulact" (diz o CEO da Frulact) "temos uma equipa de ID a analisar aqui que será a nossa dieta daqui a 10 e 20 anos e temos acesso a informação importante e até surpreendente. Dou-vos um exemplo, temos falado muito em proteínas, primeiro a animal e depois a vegetal. Pois nós já estamos a trabalhar na proteína dos insetos. E na Frulact já podemos provar iogurte por exemplo de grilos e gafanhotos."

(Sala ri-se nervosamente, sendo audíveis vómitos provenientes da 6ª fila).

Adeus Frulact. Foste uma empresa muito inovadora e depois morreste afogada em inovação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os magnificos cartazes da CGD

por Fulano de Tal, em 21.07.15

“Venha falar connosco, de Empreendedor para Empreendedor” diz um cartaz da Caixa Geral de Depósitos, exposto em todas as agências, ilustrado com o retrato do que penso ser um bancário com uma carreira de 20 anos de escriturário. O único bancário com laivos de empreendedorismo que conheço é o Armando Vara, com os resultados que se conhecem.

Give me a break…

Autoria e outros dados (tags, etc)

A ideia de Passos

por Fulano de Tal, em 13.07.15

6:30h da manhã. Uma vista de olhos pela sala com vista para a Rue de la Loi, no Le Berlaymont, sede da Comissão Europeia em Bruxelas, deixava perceber o cansaço de quem se encontrava há 16 horas a discutir uma solução que teimava em não aparecer.

As caras pálidas e macilentas dos representantes dos povos do norte, em sintonia com as olheiras profundas dos representantes dos povos do sul, eram o espelho do desalento.

“Então e se….”, começou uma voz pausada em jeito de mamar doce, “dos 50 mil milhões, destinássemos metade a coiso, e a outra metade a coiso?” Todos os olhares se voltaram para Pedro. Olhares Gregos desesperados, olhares Alemães cansados, olhares Espanhóis assustados. Fitavam os olhares Portugueses vivazes. Ninguém havia pensado naquilo antes. Metade para coiso, e outra metade para coiso.

Eureka! De repente todas as dúvidas se dissiparam. As Montblanc saltaram dos bolsos dos casacos, os óculos saltaram das testas de volta ao sítio de onde nunca deveriam ter saído: o topo dos narizes.

O acordo era afinal possível, e em cinco minutos estavam todos fora dali a comer torradas tostadinhas com compota de morango.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Anacronismo na internacionalização

por Fulano de Tal, em 16.05.15

Para quem gosta de anacronismos, aqui vai o mais recente. Abriram recentemente as candidaturas ao Portugal 2020, novo pacote de incentivos disponibilizados a empresas Portuguesas.

Uma das vertentes financiadas, e bem, é a Internacionalização. Ou seja uma empresa pode, se assim o entender, tenha ela um bom produto e muito descaramento, candidatar um projeto em que se propõe internacionalizar o seu negócio.

Nestes projetos existe um conceito que são as “despesas elegíveis”. Ou seja, eu posso querer internacionalizar para o Brasil, mas o Portugal 2020 não me financiará por exemplo uma visita ao Corcovado, na medida em que ela não contribui para o atingimento dos objetivos do projeto. Tudo certo. O anacronismo aqui é que as despesas com deslocação e estadia não são elegíveis.

Ou seja, sou incentivado a internacionalizar, mas tenho de o fazer a partir de Portugal. Não posso visitar potenciais clientes.

É no entanto uma despesa elegível comprar um mapa-mundi, olhar para ele sai de borla. Só que o mapa não é o território, como dizia o Al Pacino, em Ronin.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Post odioso de 25 de Abril

por Fulano de Tal, em 25.04.15

Passei três anos da minha vida oprimido por uma ditadura fascista. Acontece que foram também os três primeiros anos da minha vida. Tive 0 anos, 1 ano, e 2 anos.

No 25 de Abril de 74 ainda não tinha completado os 3 anos. Viver subjugado a um poder fascista não era portanto para mim muito diferente de viver subjugado ao poder que exerço hoje sobre os meus filhos.

Não tenho histórias do Aljube na família, mas li as histórias dos outros. Nenhum ascendente passou à clandestinidade, mas tenho uma admiração enorme por gente que deu esse passo. As minhas primeiras memórias são de momentos posteriores ao 25 de Abril.

25 foi bom, mas 26 não foi nada de especial. A vida não era muito fácil. Racionamento de bens alimentares, tensão social entre retornados e não retornados, etc. Teria eu 5 ou 6 anos. Nestas idades, a liberdade de expressão, o direito de associação e a posse de um isqueiro não são os grandes temas. As tortas com creme da padaria e a presença ou ausência do Nestum com Mel dominavam a minha lista de reivindicações e exigências.

E depois passaram-se 40 anos e fascismo nunca mais.

E todos os anos se celebram uma série de coisas não tendo eu conhecido verdadeiramente a ausência dessas coisas. É como festejar o sol nascer todos os dias e pôr-se à noite. Acho bem que toda a gente se ponha em jeitos de felicidade, mas eu, sem a achar mal, não consigo entusiasmar-me tanto.

Também não sou grande fã da música de intervenção. Quer dizer, as letras são anormalmente boas, mas a melodia, as vozes, e a fronha de mal-encarados como o José Mário Branco e o Adriano Correia de Oliveira sempre me deixaram bastante a desejar. Safa-se o Zeca, mas não é suficiente para me fazer alinhar no movimento.

Já estão a ver que a minha ligação ao 25 de Abril não é por aí além. E tenho pena, porque tinha tudo para gostar especialmente da celebração. Liberdade e tal. Tudo coisas que acho bem. Mas ainda bem que podemos ir a votos. Assim podemos sempre optar por não aparecer. Só foi pena foi calhar ao Sábado este ano.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Sindicato dos Pilotos entregou hoje uma lista de 54 perguntas para as quais não tem resposta por parte não sei bem de quem.

Como o tempo de rádio é dispendioso o jornalista da TSF apenas pôde ler uma delas: “Se o governo vai privatizar a TAP por um valor pequeno, porque não entregar esse capital social aos pilotos?”. Posso não estar a citar com precisão, mas estou certo que era mais ou menos isto.

Ora, a mim nada me inspira mais que uma pergunta estúpida. E logo ali me propus acrescentar a minha própria lista de perguntas estúpidas a este rol, em total apoio ao sindicato. Só que ali era Aveiras, e tive de esperar um pouco até chegar a casa. Pelo caminho fui-me esquecendo de algumas. Para além disso um “sindicato” é por definição uma coletividade de pessoas e eu sou apenas um. A minha capacidade para gerar estupidez é bastante inferior. Não cheguei nem perto das 54. O que me faltou em quantidade (e que espero me ajudem agora a completar) espero ter compensado em qualidade.

Aqui vai a minha contribuição:

1. Onde pára o Abel Xavier?

2. Se uma criança de 1 ano roubar um ladrão e conseguir viver até aos 102 anos, pode ser presa após o perdão de 100 anos concedido a este tipo de crime, ou o mesmo prescreve?

3. Não faria mais sentido a expressão “com quantos paus se faz uma jangada” que a atual “com quantos paus se faz uma canoa”?

4. Se ao mesmo tempo receber a noticia pela TSF de que “As contas públicas registam melhoria”, e por email do Correio da Manhã, “Défice agrava-se”, devo considerar que ambas as notícias se baseiam no mesmo facto?

5. Será o Grupo Lena a empresa menos inerte do País?

6. Ainda a propósito da questão anterior, existem pulseiras eletrónicas em várias cores ou é uma cor única (e nesse caso, qual)?

7. …

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

É impossível não sentir carinho pela CGTP-IN

por Fulano de Tal, em 17.12.14

É impossível não sentir um carinho especial pela CGTP-IN. Hoje "sacou" mais esta bela peça, bem a propósito do correr dos dias:

"A CGTP-IN saúda a CTC – Central dos Trabalhadores de Cuba, os trabalhadores e o povo cubano pela luta que desenvolveram pela libertação dos heróis cubanos, injustamente condenados pelos EUA quando lutavam contra o terrorismo. A libertação dos heróis cubanos deve-se ao empenhamento, à luta e à determinação daqueles que lutam pela Paz e ao povo cubano, que nunca desistiu, ao longo de todos estes anos, de ver de regresso ao seu país cidadãos seus que se dedicaram à defesa da sua segurança e pelo direito a viverem em Paz. Atingido o objectivo de ver os heróis cubanos em liberdade, é tempo de continuar a lutar pelo fim do bloqueio a que os EUA sujeitam Cuba ao longo de décadas, bloqueio esse condenado por todo o mundo, bem como pelas diversas Resoluções da ONU, que apelam ao fim do referido bloqueio. A luta é o caminho, como o prova a libertação dos 5 heróis cubanos. Lisboa, 17 de Dezembro de 2014 A Comissão Executiva da CGTP-IN "

Autoria e outros dados (tags, etc)

Em defesa da Monarquia

por Fulano de Tal, em 11.12.14

Já aqui tinha deixado vários argumentos a favor da Monarquia, quando comparada com a República, e gosto de voltar ao assunto de tempos a tempos, porque é um tema que me vale sempre uma série de piropos de republicanos, que eu coleciono como títulos nobiliárquicos.

O melhor argumento que já usei, é claramente a denominação adotada pelo "Teodósio, Rei dos Frangos". Na mesma linha do ciclista que domina nas etapas de maior desnível, e se denomina "Rei da montanha", nunca "o Presidente da Montanha" o que soaria estúpido, mesmo capitalizando o "M".

Hoje as notícias do dia sugerem-me um outro argumento que considero de idêntica valia e com o qual conto recrutar meia dúzia de republicanos para a causa monárquica. O evento é o nascimento dos gémeos do Mónaco.

Façam um esforço e tentem lembrar-se de um presidente que tenha procriado em exercício. O que é indesmentível é que a República não reserva espaço para as crianças. Não existem crianças em histórias de republicanos. Existem quando muito umas esposas e uns esposos feiosos, mas na maioria dos casos nem isso (Merkel tem marido? ninguém sabe. Passos tem esposa e valida a regra acima).

Quando alguém quebra a regra, como Sarkozy por exemplo, a República logo se ocupa de desinstalar a família. Os republicanos apenas se podem perder de amores, casar ou namorar, depois dos 80 anos, após saírem da vida política ativa. Como Soares com a sua enfermeira. Já a Monarquia tem histórias repletas de crianças, todas bonitas. E as gentes alegram-se. 21 salvas de tiros por cada criança, como hoje no Mónaco. Se fosse uma República, todos os tiros teriam sido certeiros e não seriam como uma salva, mas sim como aqueles tiros na nuca, das crianças bem entendido, como que para acabar com aquela alegria familiar.

Alegrar-se-iam as gentes em Portugal se o Passos Coelho tivesse um herdeiro? Ou Cavaco? Claro que não. Os laranjas passariam olimpicamente por cima do evento, como se ele fosse da esfera privada, e os vermelhuscos fariam pequenos bonecos de palha com feições idênticas à criança, que espetariam com agulhas muito finas. Findo o ritual usariam as agulhas para sessões de acupuntura, ou lá o que é que fazem os comunas para se curarem de alguns males que os acolitam.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não há abraços como os dos socialistas

por Fulano de Tal, em 30.11.14

Estive muito atento este Domingo ao Congresso do PS. Já tinha uma ideia, mas pude finalmente comprovar que os socialistas são, de longe, os que melhores abraços distribuem. Não são aqueles abraços envergonhados como os dos sociais-democratas. São abraços fraternos, em que as faces se tocam e por momentos se transfere aqua velva e old spice de uma bochecha suada para outra.

Os sociais-democratas começam por apertar a mão, e com o outro braço simulam o amplexo. A mesma mão que cumprimenta, se mantida em tensão entre os dois, permite manter um confortável perímetro de segurança. As faces não chegam a tocar-se. Aquilo não é abraço que se apresente.

Não sei como fazem os democratas cristãos, mas provavelmente trocam um beijinho na face. Um único.

Os socialistas não. Abrem os dois braços e encostam os estômagos. Costa, Alegre, Soares. Acariciam-se por detrás da nuca enquanto se dirigem palavras breves, mas necessariamente carinhosas. E não me interpretem mal, tudo isto é feito em cumprimento do maior rigor machista. Ver dois socialistas abraçados não é de todo uma cena erótica, ou com qualquer conotação sexual. É sensual, mas não chega a ser sexual. Transpira-se. E transpira fraternidade. A menos que um dos elementos seja o Assis. Mas tratando-se de Costa, Capoulas ou Vieira da Silva… Até os mais novos, como Perestrelo ou Galamba, já dominam esta técnica, embora não tenham abdómens compatíveis. Se Costa e Alegre são uma espécie de 9º Dan do abraço fraterno, Galamba e Perestrelo são simples Kohai, iniciados no dojo socialista.

Se vivêssemos no país dos Brinquedos (que como se sabe tem como presidente o Orelhas, e primeiro ministro o Noddy), os socialistas seriam partido único, porque não haveria necessidade de qualquer debate ideológico e político.

Ora, se na parte dos abraços, o socialista que há em mim sentiu pequenos frémitos a percorrerem-lhe a espinal medula, quando chegou a parte do debate político não conseguiu evitar que os frémitos se transformassem em calafrios. Restaurar o feriado de 1 de Dezembro parece ser a prioridade política de Costa. Foi aliás a única medida que ecoou deste Congresso. O resto foram coisas como “apostar no emprego”, “apostar no crescimento”, “renovar a esperança”, e outras mensagens para a gatinha Teresa.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Deixe o seu comentário caso tenha gostado de passar por aqui