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Já não ouvia a TSF desde os tempos depressivos de Passos Coelho. Agora que tudo está maravilhoso outra vez voltei a ouvir e devo dizer que já tinha saudades da curiosidade jornalística sobre coisas irrelevantes de Fernando Alves e outras coisas que agora não me lembro.

Hoje vim a ouvir sobre o Congresso que vai haver no Algarve para apresentar o Pão de Medronho. Trata-se de um trabalho de investigação de um tal Rui Lopes que começou há 10 anos e consiste na produção de pão que contém na sua receita o ingrediente medronho.

Impossível não pensar que se há 10 anos tivessem dado uma sacada de medronhos à Srª Carminda, lá da Barreira, e não passasse das 11:00 horas, ela apareceria com pão de medronho ainda a tempo do lanche. É óbvio que não saberia defender, em palco de congresso, e perante intelectuais, as "propriedades organoléticas únicas" do medronho, ou explicar "de forma científica as características da crocância" do pão. Mas traria uma talha com manteiga e quem sabe umas fatias de entremeada e não tinhamos de esperar tanto tempo.

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Mário não tem horário

por Fulano de Tal, em 11.08.18

Tenho vindo a reparar que o Mário não tem horário. O Mário tem um café em frente a nossa casa. A bica não é má, tem uma esplanada, só que ao contrário de qualquer outro estabelecimento comercial, o do Mário tanto pode abrir como estar fechado a qualquer hora e a qualquer dia da semana.

Penso que depende da hora e disposição com que o Mário acorda.

 

A melhor forma de perceber se posso ir tomar café é espreitar pela janela. Ele pode lá estar, e nesse caso está aberto, ou não, e nesse caso encerrado.

 

Já procurei um padrão, como por exemplo, "O Mário encerra aos Domingos". Mas também já acordei a um domingo, desci as escadas e tomei um café no Mário que estava aberto. Já me aconteceu descer a um sábado e estar fechado, e nessa altura pensar que ele talvez fosse fiel de uma daquelas religiões que privilegiam os sábados como dia de descanso. Só que no sábado seguinte ele abre. Ou noutro sábado qualquer. E ele também não fecha nem abre, digamos, no "3º sábado de cada mês". Nada disso. Ele abre ou fecha quando lhe apetece.

 

Hoje por exemplo, uma normal quarta feira. O Mário esteve fechado até perto das 11. Eu pensei que não ia abrir, e como todos os outros fecham em Agosto, pensei que não teria café. Só que às 11 o Mário abriu. Pronto, foi a hora a que ele chegou. Como eu ainda queria o café que me apetecia desde as 8:00, lá desci.

 

Num estabelecimento comercial desconcerta não haver um horário.

 

O Mário também serve refeições, mas ninguém pode planear "Amanhã almoçamos no Mário", porque ele pode não aparecer. Ou aparecer às 14:00. E especulando um pouco, porque de facto não sei, talvez apareça às 11:00 mas naquele dia não lhe apetece servir refeições. Eu sei lá o que vai na cabeça do Mário. Talvez lhe apeteça servir as refeições todo nu, e nesse caso a malta talvez não queira almoçar, o que ao Mário tanto dá, como se lhe deu.

 

Só sei que admiro o estilo de vida do Mário. Ao Mário ninguém manda fazer nada, nem mesmo abrir ou fechar o estabelecimento comercial. O Mário é dono e senhor da sua vida.

 

Mais abaixo há outro café. Chama-se "A Leitaria". A Leitaria abre religiosamente às 6:00 da manhã com 4 empregados. E fecham escrupulosamente às 19:00. Ao sábado fecham às 16:00 e ao domingo encerram. Até às 9 têm uns croissants de chocolate que a essa hora, mais minuto menos minuto, acabam. Servem refeições que publicam semanalmente. Qualquer um de vós pode dizer "Amanhã vou almoçar à Leitaria e comer o Bacalhau à Minhota" e terá a segurança de que caso seja essa a vossa vontade conseguem concretizar isso como se se tratasse de uma profecia.

O Mário desdenha da Leitaria.

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Ouço vozes e só me dá para fazer asneira

por Fulano de Tal, em 06.06.17

"Desde quando ouve vozes?"

"Desde sempre..."

 

 

Ouvir vozes é uma das características da esquizofrenia, e frequentemente estas vozes são apontadas como a principal razão para os crimes perpetrados pelos esquizofrénicos. Nunca nenhum esquizofrénico refere ouvir apenas UMA voz. São sempre vozes. Várias.

 

 

 

A esquizofrenia afeta cerca de 0.5% da população o que para Portugal equivale a dizer que existem pr’ái uns 50 mil esquizofrénicos, e provavelmente muitos mais milhares que procurando uma saída para o seu crime alegam sê-lo. Basta que cada um deles oiça 3 vozes distintas para estarmos logo nas centenas de milhar de personas com quem dialogam. E há relatos dos que ouvem para cima de 10 vozes. Isto são, senhores, milhares e milhares de vozes.

 

 
Pois nem uma única destas vozes, nem uma, alguma vez foi reportada como tendo dito:

 

 
“Olha, porque não vais fazer uma sopa”

 

ou algo assim inofensivo.

 

“E se fosses roçar aquele mato ali do pinhal?”. Ou assim.

 

“Olha lá, Orlando, vai caiar aquele muro até lá abaixo”.

 

 
É muito estranho. Mas eu não sou especialista em saúde mental.

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Olímpico

por Fulano de Tal, em 03.08.16

jim.jpg

A todas as florzinhas de estufa que se andam a queixar dos roubos na aldeia olimpica do Rio, e da poluição da Baía de Guanabara, e da segurança nos treinos, deixo aqui a foto de Jim Thorpe.

 

Se repararem na foto ele está a usar sapatos e meias que não condizem. Isso não é motivado por nenhum ditame de moda. Estamos em 1912 nos Jogos Olímpicos e o Jim representa a equipa dos EUA.

 

Na manhã em que vai competir, o Jim descobriu que os seus sapatos tinham sido roubados. Vasculhou o lixo e encontrou estes sapatos que está a usar na foto. Como um deles era maior que o seu pé foi também forçado a calçar mais umas meias grossas nesse pé.

 

Nestes preparos, Jim ganhou duas medalhas de ouro.

 

Infelizmente para Jim ele também jogava basebol e atingiu algum gabarito representando nomeadamente os New York Giants, no qual tinha uma retribuição de 25 USD. Esse facto levou o comité olímpico a não homologar os seus resultados nomeadamente o record que pulverizou no pentatlo (hoje modalidade que já não é praticada), com o argumento de que não seria amador.

 

 

 

Agora vá... vão lá e façam qualquer coisa espectacular. Sejam o Jim Thorpe.

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Típico jantar de familia em férias

por Fulano de Tal, em 23.07.16

Mesa posta em frente à piscina, noite a convidar.


“Está pronto!”.
Não sei o que significa “está pronto!” para vocês, mas para mim significa que tudo o que havia a ser feito até nos podermos sentar à mesa e iniciar o jantar foi feito. Tudo. Sei-o, logo sento-me.

1 comensal está sentado. Eu.

...

Atrás de mim os mais novos. 3 comensais à mesa, sentados.
“Fulanita de Tal, anda ajudar a levar… <palavras inaudíveis por desnecessárias> ”. Fulanita de Tal levanta-se, Fulanito de Tal inquieto. 2 comensais sentados.

Chega a minha mãe. Traz qualquer coisa que coloca na mesa e senta-se. Atrás dela a Fulanita de Tal, senta-se. Recorde de comensais sentados. 4.

Chega a minha mulher, 5 comensais sentados e o guiness estremece.

Levanta-se a minha mãe. Esqueceu-se de qualquer coisa. “Quero a avó”, levanta-se o Fulanito de Tal e segue a avó. Somos 3, e eu levo grande avanço.

Levanta-se a minha mulher que se cruza com a minha mãe na porta, uma traz uma salada, a outra leva a lembrança de que algo ainda faz falta. Eu não descortino o que falta ainda. Senta-se a avó. O Fulanito de Tal que vinha com avó, distrai-se agora com a mãe. Continuamos 3 à mesa.

Fulanita de Tal levanta-se para molhar os pés enquanto olha para qualquer coisa que acendeu no telemóvel. Chega a mãe.

Eu estou no café.

Por breves momentos foi bom estarmos juntos.

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Europeu numa sala do centro de escritórios

por Fulano de Tal, em 28.06.16

No nosso escritório o Europeu 2016 vive-se com grande entusiasmo. Temos um local preparado com todas as comodidades para que todos possam assistir à magia do futebo. Hoje numa partida entre campeões do Mundo (Espanha e Itália) eu aproveitei para fazer grandes amizades.

Ao minuto 62 apareceu o Senhor-Ligeiramente-Vesgo-e-Desgrenhado. Com aquelas perguntinhas de quem não quer que percebam que sabe muito de bola (não quer ser o nerd da sala, sendo que já é o nerd da empresa de consultoria em segurança informática): “Então isto está animado?”. “Não está mal, faz falta o Pirlo” disparei a ver se o apanhava. “O Pirlo não está convocado para o Europeu”. Bingo. Desarme limpo da minha parte.

Minuto 83, e após animada troca de informações entre o Senhor-Ligeiramente-Vesgo-e-Desgrenhado e eu, e com ele agora mais confiante a debitar estatísticas-verdadeiramente-interessantes, entra o Velhote-Com-Ar-De-Ursinho-Carinhoso-Mas-Muito-Rezingão.

Ao contrário do Senhor-Ligeiramente-Vesgo-e-Desgrenhado que sabendo muito quer aparentar saber pouco, o Velhote-Com-Ar-De-Ursinho-Carinhoso-Mas-Muito-Rezingão sabe praticamente nada mas palpita como se soubesse demasiado e tivesse de me matar a seguir se partilhasse algum daquele know-how, inadvertidamente comigo.

“Ah, eles também têm um Pelé. Joga no Real”

O Senhor-Ligeiramente-Vesgo-e-Desgrenhado e eu entreolhamo-nos, ele nada dizendo. Eu já desarmei o Senhor-Ligeiramente-Vesgo-e-Desgrenhado e não pretendo desfeitear agora o Velhote-Com-Ar-De-Ursinho-Carinhoso-Mas-Muito-Rezingão, mas também não quero que fique na ignorância. “Penso que não, Velhote-Com-Ar-De-Ursinho-Carinhoso-Mas-Muito-Rezingão. Acho que joga em Inglaterra”. “Não, não, joga no Real Madrid. Li isto há pouco tempo”. Obviamente o Velhote-Com-Ar-De-Ursinho-Carinhoso-Mas-Muito-Rezingão já não retém bastante da informação que lê, ou processa-a sem cuidados. “Então devo estar enganado", digo conciliador. O Senhor-Ligeiramente-Vesgo-e-Desgrenhado ri-se para dentro.

Minuto 90. Golo do Pellé. O Velhote-Com-Ar-De-Ursinho-Carinhoso-Mas-Muito-Rezingão sente que o golo lhe deve, em grande parte, ser atribuído, porque mencionou o Pelé antes que os outros na sala o fizessem. Tanto eu como o Senhor-Ligeiramente-Vesgo-e-Desgrenhado, em nome da sã convivência entre as várias empresas, concordamos que sim senhor.

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Impossível fingir sanidade

por Fulano de Tal, em 04.01.16

Um homem comete um pequeno crime. Pode estar perante 3 a 5 anos de prisão. Decide então alegar insanidade, na esperança de ser enviado para um hospital simpático, onde umas enfermeiras jeitosas tratarão convenientemente dele, trazendo-lhe ocasionalmente fatias de pizza. Três semanas ou quatro de medicação e aí vai ele de volta à sua vida, que tem mais que fazer. Assim lho disseram.

Fingir insanidade é fácil. Recorre a guiões de filmes de terror e ficção científica e convence o pessoal médico que o examina que, de facto, está louco.
Talvez tenha exagerado no papel porque ao invés de um hospital simpático é enviado para o asilo psiquiátrico para onde são enviados toda a sorte de psicopatas, violadores, pedófilos e demais vis criminosos.

Nunca mais consegue convencer ninguém de que está são. Como se comporta um homem são? Como se senta um homem são? Ao tornar-se consciente da sua necessidade em aparentar sanidade, todos os gestos lhe parecem exagerados. Ao suaviza-los ficam artificiais. Especialmente naquele ambiente onde todos esperam que se comporte como um louco.

O seu diagnóstico foi feito à entrada, e qualquer que seja a sua estratégia tem certamente uma razoável explicação psiquiátrica: se é amigável com os o que o rodeiam, é visto como “estando a reagir positivamente ao ambiente”, se recusa confraternizar com os restantes, é visto como “estando a ter um comportamento antissocial”. Em ambos os casos recomenda-se a sua permanência na instituição. E ali permanece há 12 anos, convivendo com loucos apesar de se encontrar no seu perfeito juízo.

Um dia resolve agir com naturalidade e comentar os temas do dia-a-dia com a enfermeira, na esperança que esta possa interferir por si. Tinha recebido um número da “Scientific American” em que numa história se relatava como o governo dos EUA estava a treinar zangões para farejar explosivos. Comentou essa história, e como era interessante, com a enfermeira. Pensou ter feito um bom trabalho, até ler no seu relatório médico que alguém havia escrito “Acredita que o exército dos EUA treina zangões para farejar explosivos”.

 

* * *


Gostava de ter pensado nesta história, mas na realidade apenas pensei que era interessante partilhá-la. O livro que ando a ler chama-se “The psycopath test” de Jon Ronson e isto tudo passa-se no único capítulo que li, o primeiro.

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Conto de Natal inspirado numa personagem real

por Fulano de Tal, em 24.12.15

Nunca me tinha apercebido de como o Bruxo era parecido com o Pai Natal até hoje. Um Pai Natal aporcalhado. Na realidade talvez apenas duas coisas os assemelhem. Ambos são gordos e têm uma barba enorme. A barba do Pai Natal imaculadamente branca, a barba do bruxo cinzenta e com a mácula própria da gordura e restos da ceia de anteontem. A barriga do Pai Natal a coberto do seu impecável fato encarnado, a do Bruxo descoberta... pela camisa cheia de nódoas, rota e aberta até ao umbigo.

 

O Pai Natal desloca-se num trenó puxado por renas, e o Bruxo desloca-se numa pequena motorizada, pequena para o seu tamanho e peso. A motorizada move-se por isso sempre com grande esforço e em marcha lenta. À velocidade perfeita para que todos possam olhar e dizer “Lá vai o Bruxo”. Um pouco mais rápido não se daria por ele, um pouco mais lento e ele poderia ouvir-nos e não gostar da graça. A velocidade perfeita para que o cigarro mata-ratos não se apague com a deslocação de ar.

 

Usa um capacete redondo que na sua cabeçorra assenta como um kipá judaico, cobrindo apenas uma pequena parcela do cucuruto. Os elásticos do capacete não dão a volta à sua cara, pelo que ficam dependurados de lado. Espero que o Bruxo nunca precise da proteção do capacete, pois lhe será manifestamente insuficiente.

 

Por vezes a mulher do Bruxo encavalita-se naquela espécie de banco de trás da motoreta, formando um corpo único, de tal forma ela enlaça a sua barriga enorme, como uma carraça enorme acocorada no seu hospedeiro.

 

E lá vai o Bruxo, com a barriga a assentar no depósito da Zundapp, pernas abertas e kipá de metal, com os elásticos, as barbas e a camisa ao vento, e uma carraça enorme acocorada nas suas costas a levar com o fumo do mata-ratos e do escape da motoreta. Vrrumm Vrummm. Aposto que não vai distribuir presentes.

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Igualdade de género

por Fulano de Tal, em 07.12.15

Lamentavelmente não consigo adicionar ficheiros Mp3 aqui. Porque estive 10 segundos a gravar o som ambiente de um local onde estive. Se no final deste post tiverem interesse em ouvir, posso enviar-vos por email, se o deixarem na caixa de comentário.

Eu sou um grande fã da igualdade de género. Mas estou convencido por outro lado que por mais que eu faça em prol desse desígnio, existem coisas que nós Homens não conseguiremos nunca igualar.

Hoje estive numa reunião em Bruxelas, num sossegado centro de conferências. Salas hermeticamente insonorizadas, ambiente calmo, tranquilo. Fui ali trazido por um táxi elétrico e um condutor com quem não troquei uma palavra. Mesmo as máquinas de café, extremamente silenciosas. Com todo o processo a decorrer perante os meus olhos (torrefação do café, moagem do grão, infusão quente), nada mais ouvia que o tranquilo verter do café nos copos e o chilrear de uns pássaros na rua. Os copos, de papel, absorvendo o impacto das gotas de café com um suave "pop" "pop". Na realidade, talvez a torrefação não fosse feita ali e se tratasse apenas da minha imaginação, embalada pela taciturnidade do local, a insinuar partes do processo que obviamente não pertencem numa máquina Lavazza.

Numas das ocasiões em que me escapuli da sala, a pretexto de atender um telefonema urgente, cruzei-me com o coffee break de outra reunião que decorria ao lado. “Women in Leadership” era o nome deste acontecimento que reunia dezenas de mulheres com ares de executivas.

O silêncio quase bucólico do local havia sido rompido por um som permanente que fazia a nossa reunião parecer-se com um encontro de monges budistas. O barulho não se media em décimos de bel, mas em bel's inteiros. Vários.

Mulheres, muitas mulheres falando ao mesmo tempo, alto, rindo, interrompendo-se alegremente. Gritos, animação, muita. Aquilo que entre homens seria considerado desrespeitoso até, era ali um sinal de vibrante atividade.

Nunca conseguiremos nós, reunindo apenas homens, igualar a vibrante azáfama de um encontro de mulheres. Pena que não possam ouvir a minha gravação.

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A vida dura de um caixa do Starbucks

por Fulano de Tal, em 19.11.15

“To drink here or to go?” Foi esta a pergunta que eu não antecipei. Ou melhor, o que não antecipei foi o impacto da minha resposta.

Respondi sem chispa: “I’ll drink here”. E com isto, tão simplesmente, toda a minha estratégia ruiu.

Deixem-me voltar um pouco atrás.

...

Aeroporto de Bruxelas e eu com algum tempo uma vez que ele se juntarão umas pessoas que chegam apenas daqui a umas horas. Resolvo passar um pedaço no Starbucks, pelo café e pelos watts que generosamente brotam das fichas junto à parede.

Na fila apercebo-me do trabalho ingrato que cabe a um caixa do Starbucks num aeroporto.

“What’s your first name sir?” “Arhippa”.
“What’s your first name, madam?” “Gökçek”
“What’s your first name, sir?” “Bröndólfur”

Escrever o nome próprio dos viajantes nos copos de papel é a última coisa que queremos estar a fazer num hub internacional de transporte de passageiros, podem crer. Esta ideia de escrever o primeiro nome é ótima quando as pessoas se chamam Mark, Paul, Joe, Mary, Ann, como qualquer Americano. Mas experimentar isto em Islandeses, Turcos, Senegaleses já não é tão brilhante.

Ali começou a germinar o meu brilhante plano. Simples. A executar em 2 passos:

1. Quando questionado, diria que o meu nome era Bill. Este primeiro passo visava o vislumbre de um suspiro de alívio na face do caixa. Especialmente porque à minha frente na fila esperava a sua vez o gigante Bröndólfur.
2. Tiraria uma foto ao copo com o nome Bill e contar-vos-ia a história. Este segundo passo visava o gáudio passado o momento de rebeldia.

“What’s you first name, sir?”
“Bill” (riso nervoso)
Caixa olha para mim surpreendida. Não quer acreditar, depois de perder 5 minutos em explicações sobre tremas e terminações nórdicas com o Islandês.
“To drink here or to go?”
Ainda nervoso respondo “I'll drink here”.

E foi neste momento que o meu plano ruiu, porque um expresso para beber no local é servido numa chávena de vidro.

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