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Beijos de Avós

por Fulano de Tal, em 23.10.18

Só conheci um dos meus 4 avós. O meu avô paterno não gostava cá de beijos. Eu chegava todo lampeiro e ele estendia-me logo a mão para me manter à distância. Dava-lhe o passou-bem forçado e ele dizia “Deus o abençoe”. E era este o nível de carinho que trocávamos. Istou durou durante toda a minha infância até ao pré-operatório e boa parte do operatório concreto (para quem não conhece as fases do desenvolvimento infantil postuladas por Jean Piaget, eu ajudo: até por volta dos 11 anos. Embrulhem intelectuais!).

 

Quando eu tinha para aí 11 ou 12 anos, ele ia suavizando os modos, precisava mais de nós. Ele achava que eu o ajudaria a passar álcool nas pernas se abrisse mão da bochecha. Era um trade off que o obrigava a abdicar da sua rabujice, para ter algum conforto nos gémeos. Comigo passava-se o oposto: se o via a chegar acenava-lhe de longe, o mais longe possível. Tinha beijos de sobra para a minha mãe e escusava de os gastar em quem não os apreciava por aí além.

 

É aqui, neste momento, que alguém poderia ter-me obrigado a beijar o meu avô, e eu seria neste momento objeto de estudo
de professores palermas que desenvolvem teorias sobre isto.

 

Ora, eu acho que este exemplo que acabo de vos dar, diz mais do meu avô do que de mim, ou da minha educação.

 

Dou-vos o exemplo contrário. O Fulanito de Tal se se apanha ao pé da avó, traça um perímetro de... vá, metro e meio, e dali não sai. Trocam-se beijos e abraços. E isto durará para sempre, não há volta a dar.

 

Moral da história: os avós, e todos nós, recebemos o que projectamos. E desse ponto de vista o professor palerma tem alguma razão. Não se deve, porque não deveria ser preciso, obrigar ninguém a beijar os avós. Se temos de o fazer, convinha verificar novamente o comportamento destes parentes, porque em matéria de afectos eu ponho as minhas fichas todas na criança.

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A minha mãe é um dos temas favoritos dos meus posts. Aliás os posts que fazemos reflectem aquilo que somos. A minha mãe é um dos meus temas favoritos.

Ultimamente acontecem na vida dela pequenos eventos extraordinários que interferem com o seu dia-a-dia. Não existem explicações plausíveis para estes pequenos eventos, daí eu os classificar como extraordinários. Como serem 6:30 da tarde e o jantar ter aparecido feito, peixe grelhado, e lá tivémos de jantar, eu e ela, a essa hora, resignados.

Um grande catalisador destes eventos extraordinários é o seu telefone. Pode acontecer um dia ela acordar e o telefone ter perdido o som, o que conduz a uma extraordinária sequência de telefonemas perdidos e preocupações. O telefone é levado a todas as lojas de telecomunicações, onde especialistas se debatem, sem sucesso, com a impossibilidade de reactivar o som. Parece perdido para sempre e o telefone fadado à substituição. Ao fim de 10 dias o som é milagrosamente restabelecido só que a música de toque é outra e não a original.

Hoje cheguei a sua casa e deparei-me com mais um destes acontecimentos do demo. A aplicação Facebook no seu telefone estava estranhamente configurada com o idioma Francês. Isso mesmo que ouviram. Em vez de “Pesquisar” estava “Rechercher” e por aí fora. Até os posts em inglês, que anteriormente podiam ser lidos graças à tradução para Português, agora estavam traduzidos para Francês mantendo portanto ininteligibilidade.

É uma grande maçada

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Não quero de forma alguma polemizar com um dos grupos mais temidos, as feministas.
Mas também não posso esconder aquilo que penso ser uma descoberta importante.

Tenho reparado, e isto não apenas uma vez, mas várias vezes (!), que as mulheres têm problemas com trajectórias parabólicas. Isso mesmo.

Não sei porquê, se tem a ver com problemas de visão ou com a parte mental de execução de algoritmos de cálculo da trajectória em si.
Deixo essa investigação para outros mais aptos.

Limito-me a observar os meus dois grupos de amostragem, eu e o Fulanito de Tal por um lado, a Fulanita de Tal e a mãe por outro, a quem apresento diariamente o mesmo problema.

Propositadamente deixo um objeto em cima da mesa que não pertença ali, na hora de "pôr" a mesa (é assim que elas se referem àquele momento). Deixo que todos sentem, e nesse momento alerto para a presença do objecto.

O método científico é assim mesmo, repetição das experiências vezes sem fim.

É neste momento que observo o seguinte:

1. Se eu ou o Fulanito de Tal pegamos no objeto, ele aterra em 2 segundos no sofá ao fundo da sala. Trajectórias parabólicas perfeitas, nada a dizer.
2. Se a Fulanita de Tal ou a mãe pegam no objecto, levantam-se (!), deslocam-se 1 metro para o lado, e depositam o objeto no sofá. Não arriscam a trajectória (!).

Isto passa-se há precisamente 8 dias. Julgo que não é preciso dizer mais nada.

PS: Deixo ilustração para que possam aferir por vós

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Em época de autárquicas cumpre-me o dever de oferecer aos novos edis e aos que revalidem os seus mandatos o meu parecer sobre esta aberração que são os Centros de Interpretação. Tudo isto grátis! (julgo que tenho a vossa atenção edis e potenciais edis).

"Se não tens nada de interessante na tua vilaroca mas tens um barracão municipal para o qual faltem ideias, reúne umas pedras, protege-as com acrí­lico e faz um centro de interpretação" diz uma voz interior ao edil.

O nome é apelativo, alude a um certo vanguardismo na preservação da identidade. O problema é que essa identidade não existe. Por mais pedras que exponham a dizer que eram usadas pelos agricultores etc, asseguro que nada daquilo tem qualquer diferença dos pedregulhos usados por outros agricultores no concelho ao lado que não se põe com estas caganças. Os utensí­lios usados para recolher a água do rio. O mesmo rio que corre um quilómetro mais acima e onde os mesmos utensilios eram usados para recolher a mesmíssima água.

Podes dar como certo edil que não são precisos três sociólogos, dois antropólogos e um historiador para interpretar nada daquilo. Não há aliás nada para interpretar. Havia um rio, por ele passavam pessoas que queriam água, eis um utensílio. Fazer historietas para lá disto é parvoí­ce.

Cuida do rio. Limpa-o, e faz dele um espaçoo aprazível. Esquece o centro de interpretação.

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Ouço vozes e só me dá para fazer asneira

por Fulano de Tal, em 06.06.17

"Desde quando ouve vozes?"

"Desde sempre..."

 

 

Ouvir vozes é uma das características da esquizofrenia, e frequentemente estas vozes são apontadas como a principal razão para os crimes perpetrados pelos esquizofrénicos. Nunca nenhum esquizofrénico refere ouvir apenas UMA voz. São sempre vozes. Várias.

 

 

 

A esquizofrenia afeta cerca de 0.5% da população o que para Portugal equivale a dizer que existem pr’ái uns 50 mil esquizofrénicos, e provavelmente muitos mais milhares que procurando uma saída para o seu crime alegam sê-lo. Basta que cada um deles oiça 3 vozes distintas para estarmos logo nas centenas de milhar de personas com quem dialogam. E há relatos dos que ouvem para cima de 10 vozes. Isto são, senhores, milhares e milhares de vozes.

 

 
Pois nem uma única destas vozes, nem uma, alguma vez foi reportada como tendo dito:

 

 
“Olha, porque não vais fazer uma sopa”

 

ou algo assim inofensivo.

 

“E se fosses roçar aquele mato ali do pinhal?”. Ou assim.

 

“Olha lá, Orlando, vai caiar aquele muro até lá abaixo”.

 

 
É muito estranho. Mas eu não sou especialista em saúde mental.

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Homeopatia quando precisamos de medicina

por Fulano de Tal, em 23.05.17

“Sim, tem umas pintinhas brancas de pus no fundo da garganta”

“Pois…”

“Vai fazer o seguinte: um copo meio de água, sumo de dois limões e vai gargarejar …”

“Limões, Drª? É esse o medicamento que me sugere?”

“É o melhor antibiótico natural…”...

“Mas estou quase certo que lá fora a placa dizia Hospital Distrital de Leiria, e não Centro Homeopático da Rebolaria”.

“…”

“Eu não gosto de limões, Drª. Dá para me receitar um antibiótico como deve de ser?”

“Não gosta de limões? Prefere medicamentos?”

“São pessoas como eu que mantêm a sua profissão em alta, Drª”

“…”

“Desculpe, estou cheio de febre. A febre não faz sobressair o meu melhor lado”.
(…)

“Vai tomar um de 12 em 12, só com água. Gosta de água ou não?”

Cabrona.

 

 

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Ontem fui ao TimeOut Market jantar. Os empregados dos estaminés do TimeOut Market são do mais simpático que existe.

Acima de todos destacam-se os empregados da Manteigaria Silva onde gosto de comprar o vinho e a tábua de pata negra e queijos.

Estão, ao nível da simpatia, acima de todos os outros empregados do TimeOut Market. Chegam com a simpatia com que brindam cada Cliente a irritar os outros Clientes que estão na fila e têm de esperar que a troca de mimos acabe com quem está a ser atendido.

Ontem estava eu a irritar-me na fila enquanto uma fulana nórdica estava a ser atendida e fazia questão de provar todos os vinhos antes de escolher o dela, quando duas outras estrangeiras se aproximam trazendo nas mãos o que apenas posso descrever como os cacos de uma garrafa de vinho. Eram, para ser exato, um caco com o que restava do gargalo e outro caco com o que restava do fundo da garrafa que presumo, tinham espatifado.

Pretendiam uma outra garrafa, intacta, cheia e grátis, porque segundo elas, aquela “se tinha partido”.

Achei que aquele era o verdadeiro teste à simpatia do empregado.

Desfez-se em desculpas mas não podia trocar cacos por garrafas cheias. Em nenhum momento chamou “cabras” àquelas duas bebedolas que se achavam usufrutuárias de “direitos”. Apesar de tudo julgo que passou no teste com distinção. Eu tinha-as desfeito em impropérios.stá a ser atendido.

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Piadas parvas do mundo da bola

por Fulano de Tal, em 19.01.17

Ora aqui está uma pequena peça de serviço público. Um pequeno manual de parvoíces que podem proferir numa qualquer segunda feira em que o adversário do vosso clube tenha um mau resultado. O "Ah,..." que antecede cada uma destas frases é uma típica interjeição parva que vai muito bem com o humor, também ele asinino, que de livre vontade optem por alardear ao usar este pequeno manual.

 

"Ah, alguém encontrou as minhas chaves ?..." (Grupo Desportivo de Chaves)
"Ah, hoje iam bem eram uns pastéis de... Belém" (Belenenses CF)
"Ah, não sei nadar e posso ter dificuldade em atravessar o rio Ave" (Rio Ave FC)
"Ah, eu gosto mesmo é da monarquia por isso vou visitar o castelo" (VSC Guimarães)
"Ah, sou católico e adoro arcebispos" (SC Braga)
"Ah, que bem que sabe este ar marítimo" (CS Maritimo)
"Ah, o que é nacional é bom" (CD Nacional)
"Ah, tenho boa vista..." (Boavista FC)
"Ah, nem todos conseguem fazer uns bons móveis" (FC Paços de Ferreira)
"Ah, boa vitórria ontem" (Vitória FC)

 

 
 
Faltam aqui o Arouca, Tondela, Feirense e Moreirense, porque não me lembrei de nada suficientemente parvo para dizer que pudesse remotamente lembrar estas vilarocas, mas estou certo que não faltarão ideias, e à falta delas pode-se sempre recorrer aos comentários do Record onde abundam este tipo de parvoíces. Outra opção válida passa por identificar o jogador do adversário que marcou o golo e usar o nome dele como constructo para a parvoíce. Um exemplo: se o jogador se chamar André, podem sempre tweetar algo do tipo "And(a a) ré". Notem como se divide em segmentos o nome, acrescentando entre parêntesis algumas letras que simulam a produção de uma frase nova e significativa. Anda a ré. Isto promete gargalhadas boçais em estado puro.

 

 
A utilização destas frases garante tantos mais likes quantos os amigos parvos que tenham. Amigos mais inteligentes são sempre uma chatice porque ignoram estes comentários e tendem a desprezar, ainda que momentaneamente, quem os profere. Mas caramba, quem precisa de amigos inteligentes? Julgo que vos estou a oferecer uma verdadeira mina de ouro.

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Aviso sério aos marketeers da Toyota

por Fulano de Tal, em 02.12.16

A equipa de marketeers da Toyota é composta maioritariamente por mulheres. Como sei? Estando atento aos jingles na rádio.

 

"Este ano mudei tudo, mudei de casa, mudei de mulher, quase mudei de clube..." Hã? rebobinar...

 

"Este ano mudei tudo...", ok, vamos lá a saber o quê.
"mudei de casa, ...", tudo bem, corriqueiro.
"mudei de mulher, ...", certo, verosímel.
"quase mudei de clube, ..." Hã?! mudar de clube? que conversa é essa Toyota Auris?

 

Uma marca que não entende como funciona o cérebro de um homem não entende as suas necessidades e ambições mais primárias, não pode construir automóveis que sirvam o homemm moderno e citadino.
Não contem comigo para comprar Toyotas.

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Simulacros de sismo

por Fulano de Tal, em 28.10.16

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Aquelas pessoas são da PT e estão a participar num simulacro de sismo. Os simulacros de sismo (ou de incêndio) são dos exercícios mais estúpidos e inúteis a que se prestam as organizações. O Mourinho dizia que um pianista não treina a correr à volta do piano. Treina a tocar. Um sismo não se treina com a malta a vir pacata e ordeiramente a fumar e a conversar sobre qualquer coisa, enqua...nto uns senhores de colete amarelo os vão arrebanhando no caminho.

Este simulacro correu particularmente bem. Pude observar que não morreu ninguém soterrado em escombros, ou pisoteado por uma turba em pânico. Aliás não morreu ninguém, por nenhum motivo, neste simulacro. Foi um verdadeiro êxito.

Podem por isso vir os sismos de magnitudes bíblicas com epicentro aqui mesmo nas Laranjeiras que na PT não morre ninguém. Estão preparados. Ou dilúvios cataclísmicos. Em Setembro fez-se um exercício em que todos saíram à rua com braçadeiras. Isto é uma malta treinada para sobreviver mesmo quando confrontada com as piores catástrofes naturais.

Quem gosta muito de sismos é a dona da Laranjinha (aquele café lá ao fundo). Em dia de sismo acorrem muitos Clientes não habituais, que se deliciam com queijadinhas e bolo de bolacha.

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