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Os meus primeiros trabalhos

por Fulano de Tal, em 17.07.15

Quando comecei a fazer os primeiros trabalhos, nas férias, lembro-me de achar que tudo aquilo era estúpido, e que nada me aportaria para a vida que iria ter daí por diante. Como estava enganado.

Um dos primeiros trabalhos que fiz foi para a Makro, estavam eles a instalar a sua primeira unidade em Portugal, em Alfragide. O meu trabalho, todo o santo dia, era digitar nomes de produtos num terminal. Só que os nomes eram longos e o campo onde eu os tinha de escrever era curto. Era o mesmo campo que seria usado para imprimir as etiquetas, daí a economia em caracteres. Por isso especializei-me nesta espécie de estenografia. “Rolo pap pqno 20 uni”, “Fiambre ftd 200gr”, “Det Maq Lav Lça 350ml Skip”. Hoje, as competências adquiridas nessa altura são-me extremamente úteis, por exemplo, na construção de tweets. Já antes disso tinha sentido vantagem sobre os meus pares na escrita de SMS’s.

Nas férias, e ocasionalmente, ia apanhar fruta para umas quintas ali ao pé do sítio ondem viviam os meus pais. Lembro-me de andar com um poceiro às costas, carregado de maçãs e de pensar como era estúpido tudo aquilo. Contudo, e mais uma vez, estava redondamente enganado. Quando o meu mais novo finalmente adormece a meio do dia, e tenho de o carregar como a uma sacada de maçãs, reteso os músculos das pernas e penso nos poceiros que os ajudaram a desenvolver.

Façam chegar esta mensagem a todos os jovens que hoje se estão a questionar sobre a utilidade do seu trabalho de verão. Eu acabo de contar esta história ao pica do barco que faz a travessia entre Santa Luzia e a Praia da Terra Estreita. Pareceu-me deveras entusiasmado quando finalmente a viagem acabou e eu desembarquei. Não sei se pela história ou pela despedida.

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1 comentário

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De Ideias e Baleias a 21.08.2015 às 00:22

Boa história!

Ainda há jovens a conseguir trabalhos de Verão? Pensava que estava tudo entregue aos imigrantes.

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