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O meu desprezo por liliáceas sem valor

por Fulano de Tal, em 07.11.15

Em minha casa comíamos até ao fim o que estivesse no prato. Normalmente cabia à minha mãe dosear as quantidades e ela tinha a precisão de uma norma ISO, mas isso era indiferente. Mesmo que lhe escapasse a mão, o que houvesse no prato tinha de se comer até ao fim.

Se não me apetecia, tinha de ouvir a lenga-lenga: “tantos meninos que não têm o que comer”.

E não importava se gostava muito, pouco ou nada. Se era um suculento arroz de cabidela, ou um execrável pirão. Estava no prato, marchava para o bucho. Porque havia meninos que nada tinham para comer.

Aprendi a respeitar os alimentos por causa disto. Se tenho de cozinhar, descasco as batatas retirando apenas uma película da casca, quase transparente. Não por qualquer preocupação com os nutrientes, ou por ser poupadinho, mas porque me está nos genes não desperdiçar comida. Se o pão dura de um dia para o outro, faço torradas. Mesmo para com ingredientes que não ingiro tenho deferência e custa-me ver comida desperdiçada.

Exceto, e é este o tópico deste post, cebola. A cebola inspira-me pouco mais que desprezo e desdém. Desde logo pelo preço. Enche-se um saco com cebolas e paga-se pouco mais de meia dúzia de cêntimos. Os próprios produtores valorizam em nada o suor que dedicam a esta miserável raiz.

Eu uso meia cebola num refogado, cortada em 3 rodelas grandes passíveis de remoção rápida. Mas lá está, o meu menosprezo pelas liliáceas em geral, mas esta em particular, faz com que não aproveite a segunda metade. Corto ao meio sem cuidado, e o resto que não uso vai fora. Se estou a mais de dois metros do lixo, encesto dali mesmo como o Michael Jordan.

É este o pouco-caso que faço da cebola.

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