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O marketing ferial é uma coisa tramada

por Fulano de Tal, em 07.04.15

De um dia para o outro tornei-me proprietário de uma boa dezena de canetas com o nome de empresas gravados, sendo que duas delas têm uma borrachinha na ponta capaz de deslizar sobre um iPad em substituição de um vigoroso dedo indicador. Estas duas empresas têm a minha predileção sobre todas as outras. Embora me tenham oferecido canetas, desprezo as empresas que não acrescentaram a borrachinha. Mais valia não terem investido nas canetas.

Possuo também, desde esta tarde, um bom saco de terylene. Na realidade não sei se é de terylene, mas queria lembrar-me do nome de um tecido que na minha cabeça fosse nobre, para ilustrar a boa qualidade do saco, e só me ocorre terylene porque com ele não vinham conhecimentos de alfaiataria, e a flanela eu reconheceria daquelas calças que em miúdo me faziam parecer ridículo (embora fossem quentinhas).

O saco também tem gravado o nome da empresa: EGOR. Não conheço mas reputo-a já como uma das melhores empresas na área em que atuam, que não sei qual é, mas pelos dizeres deve ter a ver com recursos humanos.

O marketing ferial é implacável. Eu cá substituo qualquer fornecedor a troco de um porta-chaves ou uma lanterna. Dentro do saco brochuras lindas em gramagens que eu pensava serem reservadas ao catálogo da Sotheby’s. Gruas vistosas circulando num campo de papoilas. Paletes de várias cores alegrando a vida quotidiana de jovens de minissaia. Uma combinação estranha do mundo da logística (tema da feira) e o mundo do sexo kitado com opiáceos (tema que suspeito ser o sugerido pelas jovens e pelas papoilas).

Apeteceu-me comprar aquilo tudo e alimentar-me 3 dias só à base dos rebuçados marcados da Kuehne und Nagel.

O nosso departamento de marketing, do qual sou o único recurso (em part-time), optou como sempre faz desde que me ocupo do departamento (ou seja, desde sempre), pela economia e sobriedade, conceitos pouco valorizados, a começar por mim. Éramos portanto a pior empresa de marketing da feira. Ainda bem que não somos uma empresa de marketing.

As nossas brochuras também eram facilmente notadas dentro dos sacos. Vinham completamente amarrotadas pelo peso das restantes. Perante tanta seleção no 360imprimir.pt acabei por me confundir com os termos “couché” e “mate” e a escolher um papel que fazia lembrar o higiénico, antes de alguém ter a ideia da “folha dupla”.

“Foi uma pechincha” lembro-me perfeitamente de ter pensado logo a seguir ao enter final, enquanto punha o meu melhor sorriso idiota.

Mas o que nos falta no marketing sobra-nos em competência técnica. E felizmente há sempre alguém na feira que não olhou ainda para o conteúdo dos sacos, pelo que tivemos uma prestação muito aceitável. Obrigado por terem perguntado.

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