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Tal como faço todas as manhãs há mais de 22 semanas, hoje sem exceção escrutinei o obituário à procura de uma personalidade pública que tenha falecido.

Podem tentar convencer-me do contrário, mas os melhores obituários continuam a ser os do Correio da Manhã. Os pobres costumam ser mais criativos e sentimentais na hora de se despedirem noticiosamente dos seus entes queridos. As peças, chamemos-lhes jornalísticas, são bastante melhores, embora a fotografia que as acompanha seja habitualmente de pior qualidade, e a preto e branco.

No entanto, para o meu propósito, a morte de uma pessoa comum não resulta significante. Por isso, nesta rotina diária, lanço-me aos websites de mexericos, às revistas sociais. Procuro óbitos de celebridades globais e já vos darei conta das razões.

Ao invés do mais tradicional pensamento do dia, eu procuro o passamento do dia.

E a seleção é um processo criterioso. Uma celebridade falece habitualmente envolta em grande mistério, quase fenomenalmente. Ao contrário dos pobres do Correio da Manhã, que simplesmente deixam de existir por um qualquer problema coronário, este lutam estoicamente durante meses com fantasmas e criaturas mitológicas. Bastantes vezes morrem de amores, depressões, rebeldia, ou outras causas incomuns. Existem os que tentam superar-se fisicamente. Muitos morrem a 200 e alguns a 300 km/hora. E todos deixam um legado. Não uma herança material, mas algo mais profundo: um espólio de ensinamentos aos que ficam. Isso mesmo. Todos podemos aprender imenso neste momento. Aquilo que podia ser apenas um momento de dor, converte-se numa oportunidade de seguir adiante, mais rico, mais apetrechado de doutrina.

Só isso justifica que pessoas como eu, em todo o Mundo, se dediquem a escrever crónicas, posts, artigos como estes: “Os 7 hábitos de procura da felicidade de Robin Williams”, “As 4 qualidades essenciais de um líder que podemos reter de Tommy Ramone”, “Os 10 traços de personalidade que fizeram de Peaches Geldof uma figura de charneira”, “As 6 razões para não deixar a celebridade subir à cabeça de Louis, o chimpanzé” (NR: falecido em 2013, Louis era famoso pelas inúmeras aparições em anúncios de TV) ou o mais técnico “Os 3 tipos de óleo de travão que poderiam ter salvo Paul Walker”.

Notem que de fora ficam sempre as causas naturais (descartei olimpicamente a Lauren Bacall, ou o Sir David Attemborough, por ausência de comoção), e as doenças (apesar de Hugo Chávez fornecer motivos variados para um bom artigo sobre marketing B2C, não convém despertar o monstro do respeito post mortem).

Guardo em carteira outras figuras, como Philip Seymour Hoffman, Michael Jackson, e outros, mas temo que se tenha perdido a oportunidade de garantir gostos e comentários, por meras razões de atualidade.

Bem sei que muitos de vós se estarão neste momento a interrogar: “E se ninguém de jeito morrer no dia? O que será da tua profissão?”. Como calculam, também eu tenho antídoto para a silly season. A minha alternativa é discordar de personalidades com as quais é impossível discordar. Confuso? Então tomem lá: desde o prosaico “Porque é que a Madre Teresa de Calcutá estava profundamente equivocada”, ao profundamente exclamativo “Dalai Lama: estás enganado!”, ou ainda o mais visualizado de sempre, sobretudo no estado islâmico do Iraque e do Levante, “10 Razões de cariz geológico para a montanha não ir a Maomé”.

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