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As operações do ministério público

por Fulano de Tal, em 24.11.14

Um dos ângulos que não vi ainda convenientemente explorado na sequência de casos recentemente vindos a público, é o da criatividade da personagem que dá nome às operações do Ministério Público. Estive a analisar com bastante cuidado e julgo estarmos em presença de pelo menos 3 pessoas.

a) Uma com um perfil mais arrebatado, lírico e até poético, responsável pelas operações “Face Oculta”, “Remédio Santo”, “Mãos Limpas” ou “Resgate Final”.

b) A outra mais consciente, pragmática, quase utilitária e com uma fixação pelo cromatismo, responsável pelas operações “Monte Branco”, “Ouro Branco”, “Apito Dourado”.

c) E a terceira, desprendida, roçando o neutral, de espirito serviçal, responsável pelas mais austeras operações “Furacão”, “Resíduos” ou “Labirinto”.

Antigamente estas pessoas tinham provavelmente outras tarefas que lhes estavam atribuídas. Como carimbar as transcrições de depoimentos. Da leitura de tanta ficção surge com naturalidade a propensão ao arrebatamento e com ela a competência de produzir títulos para as operações.

Não consegui validar, mas existem relatos de as operações iniciadas antes de 2000 serem numeradas numa sequência: “Operação 1”, “Operação 2”, e por aí fora.

Da minha análise não resulta também existir uma correlação entre a propensão ao drama e a quantidade de arguidos produzida, mas o entrosamento entre a justiça e a justiça popular é agora muito maior, pela facilidade em memorizar títulos mais melódicos.

Conscientes do vanguardismo destes funcionários do Ministério da Justiça de Portugal, o Mundo da Lusofonia não fica indiferente e vários países enviaram já equipas ao nosso Ministério Público para formação neste tópico em concreto. Resultante desta colaboração, funcionários Brasileiros produziram já títulos como “Operação Sal Grosso”, “Operação Pororoca” ou “Operação Leite Condensado” e funcionários Angolanos produziram títulos como “Operação Kutululuca” ou “Operação Garina”.

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