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Ardis de empresas de catering menos escrupulosas

por Fulano de Tal, em 20.10.14

Fui vítima de fraude, e quero relatar tudo para que vocês não sejam também enganados. Conto-vos como tudo se passou. É muito importante que atentem a todos os detalhes para não caírem no mesmo ardil, perpetrado por empresas de catering menos escrupulosas.

Fui convidado para estar presente num almoço numa universidade. Uma coisa catita, com uns senhores e senhoras muito simpáticos e importantes, e portanto o evento revestia-se de algum formalismo. Apesar de tudo éramos poucos os comensais. A quantidade aqui é relevante na medida que é inversamente proporcional à intimidade. Menos pessoas, mais intimo. Mais escrutinada a minha prestação.

Para verem que levei isto a sério, usei pela primeira vez em 3 anos uma gravata. Estive meia hora a tentar recordar os volteios necessários ao nó duplo, o único capaz de suster a minha papada de forma minimamente elegante.

Como conheço as falências do meu palato, olhei rapidamente para os acepipes. Ao longo dos anos desenvolvi esta técnica de escrutínio dos hors d’oeuvres. O meu cérebro, num simples relance, rejeita imediatamente tudo o que contenha vegetais visíveis, e também os invisíveis, como as suspeitas mini chamuças, entre outros. Por outro lado sinaliza positivamente os mini croquetes e algumas variedades de mini rissóis, como seguros.

Desta vez as sinapses deram nota positiva aos mini croquetes. Contei-os, e seriam aproximadamente 12, para 7 pessoas. Mentalmente calculei a minha probabilidade de despachar 40% antes de eles se esgotarem e sem parecer o Gargântua, pai de Pantagruel, sabendo que outros se ocupariam aleatoriamente dos demais fritos. Agarrei-me ao primeiro.

Ao contrário do que mandam as boas práticas, que sigo fielmente há anos, não fiz uma análise cuidada ao croquete, porque nessa altura alguém esperava de mim uma resposta muito inteligente a uma pergunta qualquer sobre conteúdos pré e pós Bolonha. Antes de começar a falar dei uma generosa trincadela no croquete. E foi aqui que detetei o ardil de que tinha sido vítima. As minhas papilas gustativas, que normalmente acolhem com hospitalidade qualquer croquete, iniciaram um estertor angustiante. Nauseadas gritavam por socorro. De olhos lacrimejantes lá larguei uma bojarda sobre Bolonha, enquanto dei uma olhada à metade de croquete sobrante. O conteúdo era verde. Um verde vivo, de uma textura cremosa. Mascarado de carne, tinham-me servido um venenoso esparregado, que naquela situação não tive remédio senão engolir. Revoltante.

Espero que fiquem alerta para estas empresas de catering, uma indústria pouco regulamentada, onde como se pode verificar pela história acima, tudo vale para cortar custos, inclusivamente a dissimulação de um espinafre numa fina e crocante camada de pão ralado, normalmente reservada unicamente às saborosas entranhas de um suíno.

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