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Vou dizer-vos como eu me comporto perante um elevador. Não é para fazerem igual. Mas é assim que eu faço e já agora explico-vos porquê.

 

Chego ao elevador e ele tem dois botões, normalmente dispostos um sobre o outro: o de cima tem uma seta que aponta para cima, e o de baixo uma seta que aponta para baixo. Apontam portanto em direções opostas, como que contradizendo-se. Se eu quero subir pisos, não importa agora quantos, primo o botão que aponta para cima. Se, por outra parte, eu quero descer pisos, primo o botão que aponta para baixo.

 

Faço isto com alguma diligência porque percebo de algoritmos.

 

Se chego em frente a um elevador em simultâneo com um septuagenário e ele se me antecipa premindo os dois botões, pergunto-lhe delicadamente: “O senhor vai para cima E para baixo?”.

 

Forço o tom no “E” para ele perceba a estupidez de que se reveste querer ir para cima e para baixo ao mesmo tempo naquela situação em concreto, sem erradicar a probabilidade de que existam situações em abstrato em que tal seja possível e mesmo desejável.

 

Se noto desconforto no idoso, explico-lhe os princípios básicos da programação linear e como naquele caso concreto a minimização de entradas conduz a melhores resultados no algoritmo.

 

Agora notem o seguinte. Estou no último piso de um edifício, e primo obviamente o botão com a seta para baixo. Em muitos edifícios no último andar não existe sequer outro botão. Quando a porta do elevador se abre, um casal de septuagenários encontra-se no seu interior. A minha primeira reação é afastar-me da porta. Isto porquê? Porque entendo de metafísica e li no secundário alguma coisa sobre o pensamento lógico aristotélico.

 

Deduzo que se vieram de elevado até ao último andar e não havendo, no movimento ascendente que tomaram, nenhum outro depois deste, é porque aí pretendem sair. Ora, isto nem sempre é verdade. Estes casais normalmente carregaram nos dois botões que mencionei no início (e podem agora ver que não foi distraidamente) num dos andares mais abaixo. Entraram sem preocupação de verificar se o elevador se encontrava em ascensão ou descensão, e subiram quando pretendiam obviamente descer. O que eles sabem e eu aparentemente ignoro é que um elevador se encontra em movimento perpétuo.

 

Porque eles percebem de cinesiologia. Mas ambos, embora apetrechados de mochilas de conhecimentos tão distintos, sabemos sorrir quando se dá este pequeno mal-entendido.

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