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Em época de autárquicas cumpre-me o dever de oferecer aos novos edis e aos que revalidem os seus mandatos o meu parecer sobre esta aberração que são os Centros de Interpretação. Tudo isto grátis! (julgo que tenho a vossa atenção edis e potenciais edis).

"Se não tens nada de interessante na tua vilaroca mas tens um barracão municipal para o qual faltem ideias, reúne umas pedras, protege-as com acrí­lico e faz um centro de interpretação" diz uma voz interior ao edil.

O nome é apelativo, alude a um certo vanguardismo na preservação da identidade. O problema é que essa identidade não existe. Por mais pedras que exponham a dizer que eram usadas pelos agricultores etc, asseguro que nada daquilo tem qualquer diferença dos pedregulhos usados por outros agricultores no concelho ao lado que não se põe com estas caganças. Os utensí­lios usados para recolher a água do rio. O mesmo rio que corre um quilómetro mais acima e onde os mesmos utensilios eram usados para recolher a mesmíssima água.

Podes dar como certo edil que não são precisos três sociólogos, dois antropólogos e um historiador para interpretar nada daquilo. Não há aliás nada para interpretar. Havia um rio, por ele passavam pessoas que queriam água, eis um utensílio. Fazer historietas para lá disto é parvoí­ce.

Cuida do rio. Limpa-o, e faz dele um espaçoo aprazível. Esquece o centro de interpretação.

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Não sei o que pensar do Carlos Carvalho. Por vezes apetece-me mandar o Carlos Carvalho à merda, outras vezes, se estou com a disposição certa brinco com o Carlos Carvalho, outras vezes até percebo que o trabalho que o Carlos Carvalho faz é propí­cio a que o Carlos Carvalho se comporte como o Carlos Carvalho se comporta.

 

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Não sei se é desconhecimento ou simples desrespeito pelo código da propriedade industrial em geral, mas a minha mulher não entende o registo de marcas e patentes. Mais, esfrega-me esse menosprezo na cara, escolhendo o período de férias como o seu favorito para o fazer.

Dou-vos um exemplo:

Eu: "Queres um gelado?"...
Ela: "Sim, traz-me um Corneto"
Eu: "Aqui não há cornetos, são da Nestlé"
Ela: "Também têm cornetos".
Eu: "Isso é impossível. A marca Corneto está seguramente registada pela Olá"
Ela: (insistindo) "Vá, são aqueles em cone, com chocolate. Cornetos"
Eu: "Vamos lá ver se não nos desentendemos. Os registos de marcas conferem aos titulares um exclusivo, o que impede terceiros de nomeadamente, e sem o consentimento do titular, usarem o nome ou sinais iguais ou semelhantes em produtos ou serviços idênticos ou afins. Não são Cornetos com toda a certeza"

 

Para não me aborrecer trago-lhe um "eXtreme" que é uma cópia razoável, mas faço questão vincar a diferença: "Trouxe-te um eXtreme". Mas não pensem que isso a impede de passar os 20 minutos seguintes a deitar loas em voz alta ao Corneto que pensa estar a comer. "Quem bem que me sabe este Corneto", "Corneto isto...", "Corneto aquilo...".

 

Se com isto não vos convenço da má vontade dela, dou-vos mais um exemplo, e podia ficar toda a noite a elencar outros.

Eu: "Onde queres ir jantar?"
Ela: "Podíamos ir ao Frango da Guia".
Eu: "Poderíamos, se isso não fosse um franchise falido cujos restaurantes fecharam todos. Mas já que estamos aqui tão perto porque não vamos comer um franguinho ali na povoação Guia?".
Ela: "E o que é que eu estava a dizer?"
Eu: "Escusas de mostrar tanto enfado. Pela forma como verbalizaste resulta evidente que te estavas a referir à marca nominativa "Frango da Guia", que se diz assim porque usa apenas elementos verbais e não a um frango qualquer num restaurante da povoação Guia".

 

Penso que não tenho de vos relatar a forma elogiosa como durante o jantar se foi referindo à marca acima mencionada em ostensiva violação do registo de marcas e patentes. "Este Frango da Guia isto..", "Este Frango da Guia aquilo..."

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Rivalidade entre ranchos folclóricos

por Fulano de Tal, em 29.05.17

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Viveram-se momentos de bastante tensão hoje na baixa Leiriense, durante a reconstituição histórica que a Câmara promoveu por toda a cidade. Estava eu sossegado a comer uma sandes de porco assado no espeto na improvisada Casa de Pasto da Barreira, explorada pelo rancho da minha freguesia, quando este outro rancho proveniente da freguesia de Santa Catarina, veio ostensivamente colocar-se diante de nós empunhando um cartaz alusivo à sua proveniência e dançando de forma absolutamente provocatória.

 

Vestidos de aldeões e encapuçados com garruços de campino, esfregavam-se lascivamente em aldeãs roliças acicatando Barreirenses como o Zé Decilitro e o Periquito. Valeu-nos o sangue frio. Focámo-nos no porco e nas morcelas, ignorando como podíamos o fandango.

 

O que os de Santa Catarina ignoram é que para eles as roupas são simples adereço que os assemelham por um dia ao “Negociante de Gado”, “Aguadeiro”, ou o “Homem do Campo”. Para o Zé Decilitro o garruço à campino é a roupa de todos os dias, e ele é mesmo negociante de gado. E galinhas e coelhos. O Periquito é um homem do campo. As mulheres do Decilitro e do Periquito não vestem roupas garridas nem são roliças nem suscitam pensamentos lascivos.

 

Apelo às autoridades Leirienses para que acautelem estes enfrentamentos. Atitudes irrefletidas podem facilmente descambar em acontecimentos trágicos. O folclore devia estar acima destas rivalidades.

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Homeopatia quando precisamos de medicina

por Fulano de Tal, em 23.05.17

“Sim, tem umas pintinhas brancas de pus no fundo da garganta”

“Pois…”

“Vai fazer o seguinte: um copo meio de água, sumo de dois limões e vai gargarejar …”

“Limões, Drª? É esse o medicamento que me sugere?”

“É o melhor antibiótico natural…”...

“Mas estou quase certo que lá fora a placa dizia Hospital Distrital de Leiria, e não Centro Homeopático da Rebolaria”.

“…”

“Eu não gosto de limões, Drª. Dá para me receitar um antibiótico como deve de ser?”

“Não gosta de limões? Prefere medicamentos?”

“São pessoas como eu que mantêm a sua profissão em alta, Drª”

“…”

“Desculpe, estou cheio de febre. A febre não faz sobressair o meu melhor lado”.
(…)

“Vai tomar um de 12 em 12, só com água. Gosta de água ou não?”

Cabrona.

 

 

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O Fulanito de Tal cresceu imenso. Está mais maduro. Desenvolveu gostos pessoais que já não são totalmente influenciados por mim.

Noto isso sobretudo porque aquilo que antes era uma maratona televisiva de Canal Panda (42 na NOS) passou a ser uma maratona televisiva Cartoon Network (45 na Nos). Um pequeno passo no zapping mas um salto quântico na perceção da maturidade dele.

As figurinhas infantis como o próprio Panda, ou a Xana Toc-Toc, foram substituídos por personagens mais ricas e de humor cáustico. Como o Titio-Avô um boneco idoso que dá puns e apalpa empregadas. Ou o Gumball que tem um humor de ir às lágrimas. Hoje apresentou-se diante do diretor da escola, que não notando a sua presença continuou a depilar-se com creme (!). Quando finalmente reparou na presença do Gumball perguntou-lhe: “Estás aí há quanto tempo?”. O Gumball respondeu: “Há tempo suficiente para a curiosidade se transformar em arrependimento”.

Rimos alarvemente eu e o Fulanito de Tal. Ele arrotou. Rimos alarvemente de novo. humor cáustico. Como o Titio-Avô um boneco idoso que dá puns e apalpa empregadas. Ou o Gumbal que tem um humor de ir às lágrimas. Hoje apresentou-se diante do diretor da escola, que não notando a sua presença continuou a depilar-se com creme (!). Quando finalmente reparou na presença do Gumbal perguntou-lhe: “Estás aí há quanto tempo?”. O Gumbal respondeu: “Há tempo suficiente para a curiosidade se transformar em arrependimento”.

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Ontem fui ao TimeOut Market jantar. Os empregados dos estaminés do TimeOut Market são do mais simpático que existe.

Acima de todos destacam-se os empregados da Manteigaria Silva onde gosto de comprar o vinho e a tábua de pata negra e queijos.

Estão, ao nível da simpatia, acima de todos os outros empregados do TimeOut Market. Chegam com a simpatia com que brindam cada Cliente a irritar os outros Clientes que estão na fila e têm de esperar que a troca de mimos acabe com quem está a ser atendido.

Ontem estava eu a irritar-me na fila enquanto uma fulana nórdica estava a ser atendida e fazia questão de provar todos os vinhos antes de escolher o dela, quando duas outras estrangeiras se aproximam trazendo nas mãos o que apenas posso descrever como os cacos de uma garrafa de vinho. Eram, para ser exato, um caco com o que restava do gargalo e outro caco com o que restava do fundo da garrafa que presumo, tinham espatifado.

Pretendiam uma outra garrafa, intacta, cheia e grátis, porque segundo elas, aquela “se tinha partido”.

Achei que aquele era o verdadeiro teste à simpatia do empregado.

Desfez-se em desculpas mas não podia trocar cacos por garrafas cheias. Em nenhum momento chamou “cabras” àquelas duas bebedolas que se achavam usufrutuárias de “direitos”. Apesar de tudo julgo que passou no teste com distinção. Eu tinha-as desfeito em impropérios.stá a ser atendido.

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Piadas parvas do mundo da bola

por Fulano de Tal, em 19.01.17

Ora aqui está uma pequena peça de serviço público. Um pequeno manual de parvoíces que podem proferir numa qualquer segunda feira em que o adversário do vosso clube tenha um mau resultado. O "Ah,..." que antecede cada uma destas frases é uma típica interjeição parva que vai muito bem com o humor, também ele asinino, que de livre vontade optem por alardear ao usar este pequeno manual.

 

"Ah, alguém encontrou as minhas chaves ?..." (Grupo Desportivo de Chaves)
"Ah, hoje iam bem eram uns pastéis de... Belém" (Belenenses CF)
"Ah, não sei nadar e posso ter dificuldade em atravessar o rio Ave" (Rio Ave FC)
"Ah, eu gosto mesmo é da monarquia por isso vou visitar o castelo" (VSC Guimarães)
"Ah, sou católico e adoro arcebispos" (SC Braga)
"Ah, que bem que sabe este ar marítimo" (CS Maritimo)
"Ah, o que é nacional é bom" (CD Nacional)
"Ah, tenho boa vista..." (Boavista FC)
"Ah, nem todos conseguem fazer uns bons móveis" (FC Paços de Ferreira)
"Ah, boa vitórria ontem" (Vitória FC)

 

 
 
Faltam aqui o Arouca, Tondela, Feirense e Moreirense, porque não me lembrei de nada suficientemente parvo para dizer que pudesse remotamente lembrar estas vilarocas, mas estou certo que não faltarão ideias, e à falta delas pode-se sempre recorrer aos comentários do Record onde abundam este tipo de parvoíces. Outra opção válida passa por identificar o jogador do adversário que marcou o golo e usar o nome dele como constructo para a parvoíce. Um exemplo: se o jogador se chamar André, podem sempre tweetar algo do tipo "And(a a) ré". Notem como se divide em segmentos o nome, acrescentando entre parêntesis algumas letras que simulam a produção de uma frase nova e significativa. Anda a ré. Isto promete gargalhadas boçais em estado puro.

 

 
A utilização destas frases garante tantos mais likes quantos os amigos parvos que tenham. Amigos mais inteligentes são sempre uma chatice porque ignoram estes comentários e tendem a desprezar, ainda que momentaneamente, quem os profere. Mas caramba, quem precisa de amigos inteligentes? Julgo que vos estou a oferecer uma verdadeira mina de ouro.

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Aviso sério aos marketeers da Toyota

por Fulano de Tal, em 02.12.16

A equipa de marketeers da Toyota é composta maioritariamente por mulheres. Como sei? Estando atento aos jingles na rádio.

 

"Este ano mudei tudo, mudei de casa, mudei de mulher, quase mudei de clube..." Hã? rebobinar...

 

"Este ano mudei tudo...", ok, vamos lá a saber o quê.
"mudei de casa, ...", tudo bem, corriqueiro.
"mudei de mulher, ...", certo, verosímel.
"quase mudei de clube, ..." Hã?! mudar de clube? que conversa é essa Toyota Auris?

 

Uma marca que não entende como funciona o cérebro de um homem não entende as suas necessidades e ambições mais primárias, não pode construir automóveis que sirvam o homemm moderno e citadino.
Não contem comigo para comprar Toyotas.

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Simulacros de sismo

por Fulano de Tal, em 28.10.16

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Aquelas pessoas são da PT e estão a participar num simulacro de sismo. Os simulacros de sismo (ou de incêndio) são dos exercícios mais estúpidos e inúteis a que se prestam as organizações. O Mourinho dizia que um pianista não treina a correr à volta do piano. Treina a tocar. Um sismo não se treina com a malta a vir pacata e ordeiramente a fumar e a conversar sobre qualquer coisa, enqua...nto uns senhores de colete amarelo os vão arrebanhando no caminho.

Este simulacro correu particularmente bem. Pude observar que não morreu ninguém soterrado em escombros, ou pisoteado por uma turba em pânico. Aliás não morreu ninguém, por nenhum motivo, neste simulacro. Foi um verdadeiro êxito.

Podem por isso vir os sismos de magnitudes bíblicas com epicentro aqui mesmo nas Laranjeiras que na PT não morre ninguém. Estão preparados. Ou dilúvios cataclísmicos. Em Setembro fez-se um exercício em que todos saíram à rua com braçadeiras. Isto é uma malta treinada para sobreviver mesmo quando confrontada com as piores catástrofes naturais.

Quem gosta muito de sismos é a dona da Laranjinha (aquele café lá ao fundo). Em dia de sismo acorrem muitos Clientes não habituais, que se deliciam com queijadinhas e bolo de bolacha.

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