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Profissionais de Leste

por Fulano de Tal, em 24.07.18

Há um sujeito numa associação profissional a que pertenço que é muito especial. Não no sentido “especial para mim” mas mais no sentido “há ali qualquer coisa que não bate bem”.

Ele é de um país de leste Europeu, pelo que para facilitar vou chamar-lhe Boris, embora o nome dele não seja Boris. Simplesmente não quero infringir nenhuma regra de privacidade e também não quero que alguém o reconheça se eu o tratasse pelo seu nome real.

O inglês do Boris é macarrónico e ele usa uns termos que não são de todo o Inglês corriqueiro que todos os outros usam.
Como aquelas pessoas que dizem “Bonita indumentária que traz sobre o seu esqueleto” em vez de simplesmente “Gosto do teu fato”. Só que em Inglês.

Se envolves o Boris qualquer assunto, por mais banal, resulta em gigantescas trocas de emails. E a culpa é dele. E de quem o pariu.

Dou-vos um exemplo: Hoje enviaram um email a todos os representantes de cada país (mais ou menos 40 destinatários) pedindo que validassem um excel com nomes de pessoas que se tinham inscrito numa sessão exclusiva para membros. A ideia era que cada país confirmasse que sim senhor eram membros.

Resposta da Suécia: “Confirmado”
Resposta da Dinamarca: “Ok a tudo”
Resposta de Portugal: “Yep”

Resposta do Boris: “Infelizmente tenho de comunicar o falecimento precoce do Sr. Izmailov Butenko, até à data presidente e CEO da empresa Tovarich Inc. Deixa mulher e 2 filhos, embora estes sejam maiores de idade. Estamos a acompanhar os familiares. Por essa razão um dos nomes que está na lista é o do Sr. Romanov Shevchenko que o substitui enquanto a assembleia geral de sócios não designar novo CEO. Nestas condições, aceitamos que o Sr. Shevchenko possa tomar parte na sessão, em substituição do falecido Sr. Butenko”.

O que se segue a estas missivas do Boris é um chorrilho de emails de profundo pesar por parte dos representantes dos países, sendo que alguns deles, desconhecendo esta faceta do Boris, querem saber detalhes. Como faleceu o Sr. Butenko? Que idade tinha, coitado? O que dispara novamente a veia coloquial do Boris recomeçando o ciclo.

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Quem foi a primeira pessoa a nascer?

por Fulano de Tal, em 30.09.17

"Quem foi a primeira pessoa a nascer?"

"Hum... na realidade não houve propriamente uma primeira pessoa. Foi um processo de evolução que demorou milhões de anos e..."

"O que eu quero saber é quem foi o pai do Jesus".

Na minha cabeça duas ideias confluí­ram. A resposta fácil seria "Virgolino de Jesus". Para ele dava no mesmo e aquilo acabava ali. Por outro lado podia ser a minha oportunidade de lhe falar de Ciência, de Darwin, da partí­cula de Deus. Deus?...

O evolucionista cobarde apoderou-se de mim.

"José".

 

 

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Não quero de forma alguma polemizar com um dos grupos mais temidos, as feministas.
Mas também não posso esconder aquilo que penso ser uma descoberta importante.

Tenho reparado, e isto não apenas uma vez, mas várias vezes (!), que as mulheres têm problemas com trajectórias parabólicas. Isso mesmo.

Não sei porquê, se tem a ver com problemas de visão ou com a parte mental de execução de algoritmos de cálculo da trajectória em si.
Deixo essa investigação para outros mais aptos.

Limito-me a observar os meus dois grupos de amostragem, eu e o Fulanito de Tal por um lado, a Fulanita de Tal e a mãe por outro, a quem apresento diariamente o mesmo problema.

Propositadamente deixo um objeto em cima da mesa que não pertença ali, na hora de "pôr" a mesa (é assim que elas se referem àquele momento). Deixo que todos sentem, e nesse momento alerto para a presença do objecto.

O método científico é assim mesmo, repetição das experiências vezes sem fim.

É neste momento que observo o seguinte:

1. Se eu ou o Fulanito de Tal pegamos no objeto, ele aterra em 2 segundos no sofá ao fundo da sala. Trajectórias parabólicas perfeitas, nada a dizer.
2. Se a Fulanita de Tal ou a mãe pegam no objecto, levantam-se (!), deslocam-se 1 metro para o lado, e depositam o objeto no sofá. Não arriscam a trajectória (!).

Isto passa-se há precisamente 8 dias. Julgo que não é preciso dizer mais nada.

PS: Deixo ilustração para que possam aferir por vós

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Em época de autárquicas cumpre-me o dever de oferecer aos novos edis e aos que revalidem os seus mandatos o meu parecer sobre esta aberração que são os Centros de Interpretação. Tudo isto grátis! (julgo que tenho a vossa atenção edis e potenciais edis).

"Se não tens nada de interessante na tua vilaroca mas tens um barracão municipal para o qual faltem ideias, reúne umas pedras, protege-as com acrí­lico e faz um centro de interpretação" diz uma voz interior ao edil.

O nome é apelativo, alude a um certo vanguardismo na preservação da identidade. O problema é que essa identidade não existe. Por mais pedras que exponham a dizer que eram usadas pelos agricultores etc, asseguro que nada daquilo tem qualquer diferença dos pedregulhos usados por outros agricultores no concelho ao lado que não se põe com estas caganças. Os utensí­lios usados para recolher a água do rio. O mesmo rio que corre um quilómetro mais acima e onde os mesmos utensilios eram usados para recolher a mesmíssima água.

Podes dar como certo edil que não são precisos três sociólogos, dois antropólogos e um historiador para interpretar nada daquilo. Não há aliás nada para interpretar. Havia um rio, por ele passavam pessoas que queriam água, eis um utensílio. Fazer historietas para lá disto é parvoí­ce.

Cuida do rio. Limpa-o, e faz dele um espaçoo aprazível. Esquece o centro de interpretação.

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Não sei o que pensar do Carlos Carvalho. Por vezes apetece-me mandar o Carlos Carvalho à merda, outras vezes, se estou com a disposição certa brinco com o Carlos Carvalho, outras vezes até percebo que o trabalho que o Carlos Carvalho faz é propí­cio a que o Carlos Carvalho se comporte como o Carlos Carvalho se comporta.

 

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Não sei se é desconhecimento ou simples desrespeito pelo código da propriedade industrial em geral, mas a minha mulher não entende o registo de marcas e patentes. Mais, esfrega-me esse menosprezo na cara, escolhendo o período de férias como o seu favorito para o fazer.

Dou-vos um exemplo:

Eu: "Queres um gelado?"...
Ela: "Sim, traz-me um Corneto"
Eu: "Aqui não há cornetos, são da Nestlé"
Ela: "Também têm cornetos".
Eu: "Isso é impossível. A marca Corneto está seguramente registada pela Olá"
Ela: (insistindo) "Vá, são aqueles em cone, com chocolate. Cornetos"
Eu: "Vamos lá ver se não nos desentendemos. Os registos de marcas conferem aos titulares um exclusivo, o que impede terceiros de nomeadamente, e sem o consentimento do titular, usarem o nome ou sinais iguais ou semelhantes em produtos ou serviços idênticos ou afins. Não são Cornetos com toda a certeza"

 

Para não me aborrecer trago-lhe um "eXtreme" que é uma cópia razoável, mas faço questão vincar a diferença: "Trouxe-te um eXtreme". Mas não pensem que isso a impede de passar os 20 minutos seguintes a deitar loas em voz alta ao Corneto que pensa estar a comer. "Quem bem que me sabe este Corneto", "Corneto isto...", "Corneto aquilo...".

 

Se com isto não vos convenço da má vontade dela, dou-vos mais um exemplo, e podia ficar toda a noite a elencar outros.

Eu: "Onde queres ir jantar?"
Ela: "Podíamos ir ao Frango da Guia".
Eu: "Poderíamos, se isso não fosse um franchise falido cujos restaurantes fecharam todos. Mas já que estamos aqui tão perto porque não vamos comer um franguinho ali na povoação Guia?".
Ela: "E o que é que eu estava a dizer?"
Eu: "Escusas de mostrar tanto enfado. Pela forma como verbalizaste resulta evidente que te estavas a referir à marca nominativa "Frango da Guia", que se diz assim porque usa apenas elementos verbais e não a um frango qualquer num restaurante da povoação Guia".

 

Penso que não tenho de vos relatar a forma elogiosa como durante o jantar se foi referindo à marca acima mencionada em ostensiva violação do registo de marcas e patentes. "Este Frango da Guia isto..", "Este Frango da Guia aquilo..."

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Ouço vozes e só me dá para fazer asneira

por Fulano de Tal, em 06.06.17

"Desde quando ouve vozes?"

"Desde sempre..."

 

 

Ouvir vozes é uma das características da esquizofrenia, e frequentemente estas vozes são apontadas como a principal razão para os crimes perpetrados pelos esquizofrénicos. Nunca nenhum esquizofrénico refere ouvir apenas UMA voz. São sempre vozes. Várias.

 

 

 

A esquizofrenia afeta cerca de 0.5% da população o que para Portugal equivale a dizer que existem pr’ái uns 50 mil esquizofrénicos, e provavelmente muitos mais milhares que procurando uma saída para o seu crime alegam sê-lo. Basta que cada um deles oiça 3 vozes distintas para estarmos logo nas centenas de milhar de personas com quem dialogam. E há relatos dos que ouvem para cima de 10 vozes. Isto são, senhores, milhares e milhares de vozes.

 

 
Pois nem uma única destas vozes, nem uma, alguma vez foi reportada como tendo dito:

 

 
“Olha, porque não vais fazer uma sopa”

 

ou algo assim inofensivo.

 

“E se fosses roçar aquele mato ali do pinhal?”. Ou assim.

 

“Olha lá, Orlando, vai caiar aquele muro até lá abaixo”.

 

 
É muito estranho. Mas eu não sou especialista em saúde mental.

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Rivalidade entre ranchos folclóricos

por Fulano de Tal, em 29.05.17

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Viveram-se momentos de bastante tensão hoje na baixa Leiriense, durante a reconstituição histórica que a Câmara promoveu por toda a cidade. Estava eu sossegado a comer uma sandes de porco assado no espeto na improvisada Casa de Pasto da Barreira, explorada pelo rancho da minha freguesia, quando este outro rancho proveniente da freguesia de Santa Catarina, veio ostensivamente colocar-se diante de nós empunhando um cartaz alusivo à sua proveniência e dançando de forma absolutamente provocatória.

 

Vestidos de aldeões e encapuçados com garruços de campino, esfregavam-se lascivamente em aldeãs roliças acicatando Barreirenses como o Zé Decilitro e o Periquito. Valeu-nos o sangue frio. Focámo-nos no porco e nas morcelas, ignorando como podíamos o fandango.

 

O que os de Santa Catarina ignoram é que para eles as roupas são simples adereço que os assemelham por um dia ao “Negociante de Gado”, “Aguadeiro”, ou o “Homem do Campo”. Para o Zé Decilitro o garruço à campino é a roupa de todos os dias, e ele é mesmo negociante de gado. E galinhas e coelhos. O Periquito é um homem do campo. As mulheres do Decilitro e do Periquito não vestem roupas garridas nem são roliças nem suscitam pensamentos lascivos.

 

Apelo às autoridades Leirienses para que acautelem estes enfrentamentos. Atitudes irrefletidas podem facilmente descambar em acontecimentos trágicos. O folclore devia estar acima destas rivalidades.

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Homeopatia quando precisamos de medicina

por Fulano de Tal, em 23.05.17

“Sim, tem umas pintinhas brancas de pus no fundo da garganta”

“Pois…”

“Vai fazer o seguinte: um copo meio de água, sumo de dois limões e vai gargarejar …”

“Limões, Drª? É esse o medicamento que me sugere?”

“É o melhor antibiótico natural…”...

“Mas estou quase certo que lá fora a placa dizia Hospital Distrital de Leiria, e não Centro Homeopático da Rebolaria”.

“…”

“Eu não gosto de limões, Drª. Dá para me receitar um antibiótico como deve de ser?”

“Não gosta de limões? Prefere medicamentos?”

“São pessoas como eu que mantêm a sua profissão em alta, Drª”

“…”

“Desculpe, estou cheio de febre. A febre não faz sobressair o meu melhor lado”.
(…)

“Vai tomar um de 12 em 12, só com água. Gosta de água ou não?”

Cabrona.

 

 

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O Fulanito de Tal cresceu imenso. Está mais maduro. Desenvolveu gostos pessoais que já não são totalmente influenciados por mim.

Noto isso sobretudo porque aquilo que antes era uma maratona televisiva de Canal Panda (42 na NOS) passou a ser uma maratona televisiva Cartoon Network (45 na Nos). Um pequeno passo no zapping mas um salto quântico na perceção da maturidade dele.

As figurinhas infantis como o próprio Panda, ou a Xana Toc-Toc, foram substituídos por personagens mais ricas e de humor cáustico. Como o Titio-Avô um boneco idoso que dá puns e apalpa empregadas. Ou o Gumball que tem um humor de ir às lágrimas. Hoje apresentou-se diante do diretor da escola, que não notando a sua presença continuou a depilar-se com creme (!). Quando finalmente reparou na presença do Gumball perguntou-lhe: “Estás aí há quanto tempo?”. O Gumball respondeu: “Há tempo suficiente para a curiosidade se transformar em arrependimento”.

Rimos alarvemente eu e o Fulanito de Tal. Ele arrotou. Rimos alarvemente de novo. humor cáustico. Como o Titio-Avô um boneco idoso que dá puns e apalpa empregadas. Ou o Gumbal que tem um humor de ir às lágrimas. Hoje apresentou-se diante do diretor da escola, que não notando a sua presença continuou a depilar-se com creme (!). Quando finalmente reparou na presença do Gumbal perguntou-lhe: “Estás aí há quanto tempo?”. O Gumbal respondeu: “Há tempo suficiente para a curiosidade se transformar em arrependimento”.

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