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Impossível fingir sanidade

por Fulano de Tal, em 04.01.16

Um homem comete um pequeno crime. Pode estar perante 3 a 5 anos de prisão. Decide então alegar insanidade, na esperança de ser enviado para um hospital simpático, onde umas enfermeiras jeitosas tratarão convenientemente dele, trazendo-lhe ocasionalmente fatias de pizza. Três semanas ou quatro de medicação e aí vai ele de volta à sua vida, que tem mais que fazer. Assim lho disseram.

Fingir insanidade é fácil. Recorre a guiões de filmes de terror e ficção científica e convence o pessoal médico que o examina que, de facto, está louco.
Talvez tenha exagerado no papel porque ao invés de um hospital simpático é enviado para o asilo psiquiátrico para onde são enviados toda a sorte de psicopatas, violadores, pedófilos e demais vis criminosos.

Nunca mais consegue convencer ninguém de que está são. Como se comporta um homem são? Como se senta um homem são? Ao tornar-se consciente da sua necessidade em aparentar sanidade, todos os gestos lhe parecem exagerados. Ao suaviza-los ficam artificiais. Especialmente naquele ambiente onde todos esperam que se comporte como um louco.

O seu diagnóstico foi feito à entrada, e qualquer que seja a sua estratégia tem certamente uma razoável explicação psiquiátrica: se é amigável com os o que o rodeiam, é visto como “estando a reagir positivamente ao ambiente”, se recusa confraternizar com os restantes, é visto como “estando a ter um comportamento antissocial”. Em ambos os casos recomenda-se a sua permanência na instituição. E ali permanece há 12 anos, convivendo com loucos apesar de se encontrar no seu perfeito juízo.

Um dia resolve agir com naturalidade e comentar os temas do dia-a-dia com a enfermeira, na esperança que esta possa interferir por si. Tinha recebido um número da “Scientific American” em que numa história se relatava como o governo dos EUA estava a treinar zangões para farejar explosivos. Comentou essa história, e como era interessante, com a enfermeira. Pensou ter feito um bom trabalho, até ler no seu relatório médico que alguém havia escrito “Acredita que o exército dos EUA treina zangões para farejar explosivos”.

 

* * *


Gostava de ter pensado nesta história, mas na realidade apenas pensei que era interessante partilhá-la. O livro que ando a ler chama-se “The psycopath test” de Jon Ronson e isto tudo passa-se no único capítulo que li, o primeiro.

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2 comentários

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Inês a 04.01.2016

Um óptimo livro.
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Fulano de Tal a 04.01.2016

Estou a devorá-lo, Inês. :)

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