Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Sociedade de Vigilantes

por Fulano de Tal, em 19.09.16

“Está ali um homem, com o telemóvel na mão, a tirar fotografias a mulheres de saias”

“Vou já chamar a segurança, muito obrigado!”

* * *

Foi na FNAC, à hora de almoço, que ouvi este diálogo entre uma senhora (a “bufa”) e um funcionário da FNAC. Ora eu estava na FNAC, era homem, e tinha o meu telemóvel na mão. Juro por Deus que não saquei nenhuma foto a mulheres de saias, mas não pude evitar corar e senti o coração a bater acelerado.

“E se eles pensarem que fui eu?”

Afinal a descrição da mulher era suficientemente vaga como para conter lá dentro todos os homens possuidores de telemóvel, e eu tinha o meu precisamente no sítio onde ela lhes mandara procurar: na mão.

Talvez se eu lhes mostrasse a galeria de fotos, onde eles poderiam verificar que não consta nenhuma de mulheres de saias.

Fiquei por ali nas redondezas a folhear um livro qualquer a ver se a vigilante encurtava a malha, quem sabe descrevendo o suspeito. Algo que me ilibasse para além de qualquer dúvida razoável. Dei-me conta que o meu comportamento, nervoso e a folhear distraidamente um livro de culinária virado do avesso, com o propósito óbvio de ouvir a conversa, apenas adensava a suspeição à minha volta.

Saí dali sorrateiro, pelo corredor lateral. Esperei bastante tempo, talvez 20 minutos, o tempo que entendi ser o suficiente para que as diligências fossem feitas e o suspeito abordado. Não queria dar a impressão de estar a escapulir-me da FNAC à pressa, atendendo à minha condição atual (nervoso e corado) aos meus antecedentes (era homem, tinha o meu telemóvel na mão, tinha folheado um livro de culinária do avesso com o propósito único de ouvir a conversa).

Quando finalmente consegui sair da FNAC o alívio foi tão grande que nem dei conta do bulício à porta onde 3 seguranças encorpados interrogavam um sexagenário de t-shirt.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Activo / Passivo

por Fulano de Tal, em 12.09.16

urinol.jpg

 
Hoje precisei de usar um WC em plena A1. Não um urinol, mas sim uma daquelas divisões dotadas de alguma privacidade. Quando isto acontece sinto sempre estar em presença de um momento com potencial interesse para um post de grande profundidade.

E assim foi.

 

Escolhi criteriosamente a Mealhada. Uma estação mais antiga, onde as portas de pladur até ao chão conferem uma ambiência mais intimista, que aqueles materiais modernos, onde se conseguem ver os pés e pressentir a prostração dos utilizadores.

 

Na porta há muitos dizeres, e foram estes que captaram a minha atenção, porque são reveladores de uma das maiores deficiências do povo Português.

 

Selecionei dois para ilustrar isto:

“Jovem mulato ativo: 91 xxx xx xx. Zona de Coimbra”
“Jovem passivo. Guloso. 91 xxx xx xx. Leiria”

 

Um destes jovens foi o último a escrever a mensagem e é isso que me importa analisar. Porque não ligou ele para o outro, cuja mensagem já lá estava? Em vez de se anunciar. Leiria não é muito longe de Coimbra. Serão 60 km um óbice de tal ordem para, quem sabe, um grande amor?

 

Esta é uma das características dos Portugueses. Falta-lhes iniciativa. Preferem expor a sua ambição esperando que alguém a venha satisfazer, ao invés de se porem a caminho e perseguirem o seu sonho. Provavelmente aqueles dois jovens ainda hoje estão sozinhos.

 

Absorto nestes pensamentos, ainda assim procurei não perder a oportunidade e escrevi eu próprio uma mensagem: “Jovem empresário ativo, vende software de gestão: 93 422 xx xx”. Conto lá passar no dia 18 de Setembro, para ver se algum Empresário passivo colocou alguma mensagem procurando serviços idênticos aos que forneço. Quem sabe até lá, recebo alguma chamada de um empresário ativo ?

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor