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Hiper realismo nas brincadeiras

por Fulano de Tal, em 29.08.16

Acabei agora uma coisa que faço todos os dias com o Fulanito de Tal (recordo que ele tem 6 anos), e acho-lhe tanta graça que pensei partilhar convosco.

Todos os dias, antes de ele se deitar eu e o Fulanito de Tal andamos uns bons 10 minutos à pancada. Ele chama-lhe “à murrada”.

Obviamente não há qualquer violência e a actividade consiste basicamente em cada um de nós invocar poderes excepcionais e extraordinários e pode acontecer ele ser ocasionalmente atirado de uma altura considerável para uma cama fofa, embora a mãe dele não possa saber senão há sarilho pela certa.

O que tem mais piada (para mim pelo menos, vocês não são obrigados a achar piada a isto) é que onde ele usa a imaginação eu equilibro com hiper realismo. Isto na invocação dos poderes, claro. Dou-vos um exemplo:

“Poder de escudo invisível!!!!” grita ele.
“Poder de te dar 3 murros na tromba!!!” grito eu.
“Poder das bolas de fogo resplandecentes!!!” contrapõe ele.
“Poder de te arrebentar o focinho com chapadas!!!” digo eu.

E por aí fora.

Ele parece aceitar com naturalidade a forma como eu invoco. Temo que um dia em que alguém lhe faça estas mesmas promessas a valer ele desate a gritar "Poder da proteção celestial!!!!" e isso não lhe valha de muito.

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Burkini da Decathlon

por Fulano de Tal, em 26.08.16

toucapiscina.jpg

Confesso que fui apanhado de surpresa por esta discussão do burkini. Como não gosto de tirar conclusões precipitadas fiz o que sempre faço nestas ocasiões: recolhi-me e fui estudar.
Quando vi a primeira imagem de um burkini (imagem da direita) pensei de imediato:

“Alto, que eu já vi isto!”

Acorreram-me imagens das tardes de infância na Praia da Vieira e na Nazaré, mas não era bem aquilo. É muito mais assustador o que se pode encontrar debaixo das saias de uma varina que debaixo da modelo da Marks & Spencer. Contudo a minha memória não conseguia bem situar a recordação.

Então lembrei-me da ida à Decathlon para abastecer-me de acessórios para o squash.

“Eureka!” Eu havia visto tudo aquilo, mas nunca tinha visto um conjunto de tudo aquilo. A partir daí foi juntar as peças, o que fiz durante a investigação e podem observar na foto da esquerda. Um belíssimo conjunto que na Decathlon sai por menos de 12,99 Eur e que consiste numa touca de piscina, uma t-shirt de lycra e umas leggings.

Os acabamentos tive eu de me esforçar mas penso que não retiram o charme ao conjunto.

 

Isto para dizer quão ridículas me parecem as decisões Francesas.

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The Great Summer Divide

por Fulano de Tal, em 21.08.16

Depois de aturado estudo consigo finalmente dividir em dois tipos apenas todas as praias que existem no Mundo:

 

1.       As praias sossegadas, que permitem o relaxe e o recobro, indicadas para pessoas com vidas agitadas durante o ano, como todas as profissões de atendimento ao público, os enfermeiros do INEM e outros. Estas pessoas somam aproximadamente 90% de toda a gente sobre a terra.

2.       As praias agitadas, que oferecem animação, agitação e balbúrdia. Especialmente indicadas para indivíduos com atividades ao longo do ano de contemplação, como os guardas florestais de reservas naturais e as instrutoras de yoga. Estas praias somam cerca de 90% de todo o território de veraneio disponível para a Humanidade.

 

A este desfasamento entre oferta e procura balnear, e uma vez que nunca foi notado antes deste post, cabe-me a mim nomear de “the great summer divide” (em Inglês para facilitar aos investigadores estrangeiros que queiram pegar neste achado e desenvolvê-lo).

 

Só depois de visitar a Nazaré, grande emblema das praias do tipo II é que pude finalmente completar esta pesquisa.

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Prémio "A matemática não é o meu forte"

por Fulano de Tal, em 21.08.16

"As pessoas esquecem que um atleta para estar nos olímpicos tem de estar entre os 30 ou 40 melhores do Mundo" disse Paulo Bernardo, chefe da equipa de atletismo de Portugal no Rio'2016, depois de assistir à Maratona onde Rui Pedro Silva foi 123º e Ricardo Ribas 134º.

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Julgo que já vos falei do Miroslav (“Miro”) fiel arrumador ucraniano da minha rua, de vistas descompensadas pelas espirituosas do Lidl e exageros com vinho embalado em cartão. O que talvez não vos tenha dito é que o Miro tem um raciocínio cristalino, como um bom copázio de vodka.

 

“Miro muito estranhar portugueses em jogos olímpicos” disse-me ele hoje, assim do nada.
“Ah sim, Miro? Esperavas talvez melhores resultados?”
“Sim, Miro esperar melhor resultados”...
“Isso é porque não tens cultura desportiva Miro. És um analfabeto que provavelmente não pôs os pés numa escola”
“Não, Miro licenciatura em Desporto em Lviv. Mas Ucrania pouco trabalho então Miro vir Portugal”
“Certo, Miro, mas que sabes tu. Vens lá de Leningrado, sabes lá o que é levantar às 7 da manhã no inverno e ir para dentro de água, treinar”.
“Leningrado Russia. Miro, Ucrania. E Miro levantar sempre 6 da manhã. Muito frio na rua inverno, e Miro dormir em rua. Mas Miro esperar mais de atleta portugueses”.
“Não queiras comparar as dificuldades por que passas Miro, com as dificuldades por que passa um atleta como o Pimenta ou o Silva”.
“Atletas em Portugal passar dificuldades? Pessoas não gostar de atletas?”
“Nós gostamos. Idolatramos até, Miro. Passamos serões a partilhar fotos deles no Facebook, temos hashtags de apoio e vamos recebê-los ao aeroporto aos milhares quando eles chegam. A única coisa que não podemos fazer é dizer que esperávamos mais deles, Miro. E foi por aí que tu começaste. Como bem disse o Emanuel Silva, que direito tens tu de criticar”
“Não poder esperar melhor de atletas portugueses? Em Ucrânia nós sempre esperar melhor”.
“Isso não faz sentido nenhum, Miro. Uma vez um atleta alcance um bom resultado na vida, não se deve esperar que ele o repita nunca mais, ou sequer melhore. É como o sexo, para quê estar sempre a fazê-lo? Uma vez feito, está feito”.
“Mas… Miro não entender…”
“Olha a Sara Moreira, Miro: ela foi campeã Europeia, e nós esperávamos um bom resultado nos olímpicos certo?”
“Certo”
“Errado, Miro. Quem o fazia está em clara violação do código de adoração do atleta.”
“Código adoração…”
“Sim… do atleta. Aliás a Sara desistiu e deu-nos logo uma reprimenda. Nós sabemos lá o que é estar longe do filho para treinar”
“Miro estar longe dos filhos. Três filhos Miro em Ucrânia”.
“Sim, mas tu não estás a treinar Miro. És impossível, que diabos! Que faço eu a debater com um bêbado analfabeto de vistas descompensadas?...”
“Então portugueses poder apoiar mas não poder criticar?”
“Evidente Miro. Quem estraga isto tudo são os atletas que melhoram continuamente e cumprem ou excedem expectativas que eles próprios criam. Olha a Telma!! Ou a Patrícia ou o Nélson ou o Alexis. Esses estragam tudo com os seus feitos inusitados”

O Miro tem tanto para aprender connosco, meu Deus.

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A melhor praia de Mundo

por Fulano de Tal, em 14.08.16

Os prós e os contras de São Pedro de Moel

 

Pros

1.       O sistema de timesharing de barracas que permite que uma família mantenha por gerações a mesmíssima barraca, desde que ligue em Janeiro/Fevereiro ao banheiro.

2.       A forma ordeira como os banhistas não esperam que a bola de Berlim vá até eles. Sabem que a velhota está lá em cima, e é lá que deverão completar a transação.

3.       O torneio de vólei de praia 4x4. Os “Seca Adegas” hoje estavam a disputar a final com os “O Bom, o Mau, o Vilão e o Assim-Assim” num derby apreciado por todos.

4.       A variedade de marcas de roupa entre os banhistas. Chapéus da “Electro Cortes”, t-shirts da “Benecar”, da “Pompeu, bombas e mangueiras” e tantas outras.

 

Contras

1.       A miserável condição das piscinas hoje em total abandono.

2.       A incapacidade dos banhistas para distinguirem entre “esplanada” e “parque de merendas”, tornando o negócio difícil para os bares de praia.

 

Saldo muito positivo para a melhor praia Portuguesa. Só mesmo os parolos da Condé Nasté é que acham que a melhor praia é aquela coisa horrível com cascas de caranguejo por todo o lado e ingleses em pelota, lá no Algarve.

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Olímpico

por Fulano de Tal, em 03.08.16

jim.jpg

A todas as florzinhas de estufa que se andam a queixar dos roubos na aldeia olimpica do Rio, e da poluição da Baía de Guanabara, e da segurança nos treinos, deixo aqui a foto de Jim Thorpe.

 

Se repararem na foto ele está a usar sapatos e meias que não condizem. Isso não é motivado por nenhum ditame de moda. Estamos em 1912 nos Jogos Olímpicos e o Jim representa a equipa dos EUA.

 

Na manhã em que vai competir, o Jim descobriu que os seus sapatos tinham sido roubados. Vasculhou o lixo e encontrou estes sapatos que está a usar na foto. Como um deles era maior que o seu pé foi também forçado a calçar mais umas meias grossas nesse pé.

 

Nestes preparos, Jim ganhou duas medalhas de ouro.

 

Infelizmente para Jim ele também jogava basebol e atingiu algum gabarito representando nomeadamente os New York Giants, no qual tinha uma retribuição de 25 USD. Esse facto levou o comité olímpico a não homologar os seus resultados nomeadamente o record que pulverizou no pentatlo (hoje modalidade que já não é praticada), com o argumento de que não seria amador.

 

 

 

Agora vá... vão lá e façam qualquer coisa espectacular. Sejam o Jim Thorpe.

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