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Pequenos sinais

por Fulano de Tal, em 28.06.15

O meu filho oferece-me um pedaço da sua cenoura, mas coloca estrategicamente o dedo a 1 cm da extremidade da mesma, delimitando a minha dentada.

Pergunto-me se ele valoriza mais a cenoura que o dedo. Que sociedade é esta que estamos a criar?

 

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Shark Tank

por Fulano de Tal, em 25.06.15

Olá Tubarões. O meu nome é Fulano de Tal e estou aqui para oferecer 10% do meu negócio. Isso mesmo, ouviram bem, oferecer. Isto porque o meu negócio não precisa de capital, mas sim de um parceiro estratégico. Depois de expor em que consiste, estarei atento à vossa demonstração de interesse, e particularmente interessado naquilo que pensam ser a maior qualidade que podem aportar, caso venham a ser escolhidos por mim.

O meu negócio chama-se “Brutally Honest”. Trata-se de uma atividade de consultoria para empresas, e consultas para indivíduos. No caso das empresas, e ao contrário das tradicionais empresas de consultoria, nós dizemos tudo sem salamaleques e transmitimos apenas oralmente as conclusões. Não fazemos calhamaços com conversa da treta. Dizemos tudo, de acordo com a nossa metodologia patenteada, na tromba.

Avaliamos pessoas, equipas e departamentos. Opinamos no lançamento de novos produtos ou estratégias comerciais. Se é uma besta, é uma besta. Se o produto é uma merda, é uma merda.

No caso dos indivíduos, e pela natureza gráfica das consultas que levamos a cabo, nunca consultamos duas vezes a mesma pessoa. Isto pode aparentemente levar à escassez de Clientes, mas todos os anos nascem e morrem pessoas, fenómeno que está perfeitamente representado no business plan.

Não temos pruridos em dizer a uma mãe que os filhos são horrendos e nada talentosos, ou a uma jovem insegura que preferíamos pisar um excremento todos os dias à porta de casa a usar aquela fronha a que ela chama cara.

Quem nos procura quer uma opinião honesta e é isso que fornecemos. É isso que torna o nosso serviço único no Mundo. Analisámos o mercado e ninguém faz isto. Registámos as marcas e domínios, inclusivamente BH.com Brutal.com e outras derivações. Aguardamos patente de processo, que proteja o “saber fazer” descrito na nossa metodologia.

Fico à espera da vossa demonstração de interesse no negócio, e respetiva defesa daquilo que pensam ser a principal mais-valia que podem aportar, caso sejam a minha opção para parceiro estratégico.

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O maluquinho que acena quando os carros passam

por Fulano de Tal, em 24.06.15

Passei agora por aquele maluquinho (ou bêbado) que fica na beira da estrada a acenar a todos os carros que passam.

Não sei o que vocês fazem, mas eu tento ser tão efusivo como ele. Aceno-lhe, sorrio-lhe, se levo a janela aberta chego a gritar-lhe “Então, pá?!”.

Depois fico a olhar pelo retrovisor para a sua cara de satisfação.

Um dia posso ser eu a acenar-vos na beira da estrada, e peço-vos que me cumprimentem efusivamente.

De certeza que isso fará o meu dia, e a vocês não custa nada.

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Fools

por Fulano de Tal, em 24.06.15

Não é adorável quando as pessoas que pensam ser inovadoras, ou líderes, ou criativas, se juntam a grupos de inovação, ou de liderança, ou de criatividade, em busca de inspiração para a sua inovação, para a sua liderança, para a sua criatividade?

E depois copiam e repetem posts em que inovação é isto ou aquilo, e liderança requer esta ou aquela competência, e criatividade é um processo assim ou assado. Fools.

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História do paleolítico

por Fulano de Tal, em 19.06.15

Uma história que deve ser mais ou menos verídica, com laivos de precisão histórica

“Grumpf” Aquilo tanto podia ser “bom dia” como “a tua mãe é uma galdéria”. Mas era assim, com grunhidos e gemidos, que se comunicavam aqueles homo erectus.

“Rnhum”

“Hu hu”

Faltava qualquer coisa para o fogo ser algo de útil. O corpo coberto de pêlo desta subespécie de hominídeo, não ajudava a dar substância a essa utilidade. Não ser ainda um Sapiens também não ajuda. Os primeiros erectus que se ocuparam de desenvolver técnicas para controlar aquela chama tinham entrado em combustão. Dubois tinha observado a sua correria desenfreada, em chamas, ouvido os urros de dor, e especialmente sentido o odor intenso de carne e pêlo queimado.

“Hu Hu”.

O som retirou Dubois desta espécie de transe em que se encontrava. Não estava bem absorto em pensamentos, porque a caixa craniana de um Erectus não permite grandes lucubrações. Dubois era, apesar de tudo, diferente. Só ele se interrogava. Só ele sabia que já não era um australopiteco.

“mhu nahba!”

“Grumpf”

“Rnhum”

“Hu hu”

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A feira do livro

por Fulano de Tal, em 13.06.15

À Feira do Livro de Lisboa acorrem os amantes de caracóis, churros, farturas, queijadas de Sintra, ginja, chá, café, cerveja, pastéis de nata, pita shoarma, pão com chouriço, gelados, pipocas, sandes de porco assado, empadas, bolas de Berlim e até melancia. Gostei muito dos stands da cerveja Radler, da Taberna de Óbidos, da Pita Shoarma Noites de Luar, dos Churros Italianos, das Pipocas Joaninha, da Olá, da Pastelaria Aloma, da Melancia Ladoeiro, da Delta Cafés, do Chá Tetley, do Mister Pig, da Fábricas dos Doces, da Rapopão, da Frozen Yougurt, da Foodarmada, da Bolas da Praia, e da Ben & Jerry.

À Feira das Tasquinhas de Lisboa acorrem muitos amantes de livros.

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A única razão para voar TAP

por Fulano de Tal, em 11.06.15

Os textos do Gonçalo M. Tavares são, atualmente, a única razão para voar TAP.

Não existe fator mais relevante, não existe destino, horário, ardor patriótico, não será por causa da refeição (que recusei mais uma vez), não será pela beleza latina das aeromoças (a quem puseram uma tromba de todo o tamanho). Nada. Eu voo TAP pelos textos dele.

Sento-me e lá vou direto à revista UP do mês. Passo a correr o editorial do brasileiro, folheio rapidamente o pretensiosismo campestre do José Luis Peixoto, passo por cima de roteiros, perfumes e roupas, atropelo as viajantes que nos sugerem destinos e só paro no Gonçalo M. Tavares.

Penso que nem ele tem a noção da importância que tem na continuidade desta companhia.

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Pela Catalunha

por Fulano de Tal, em 10.06.15

Ontem à noite tornei-me um independentista catalão moderado. Nem sabia que tal coisa podia existir. Para mim os independentistas nunca são moderados. Se um dos sete anões fosse independentista seria o Zangado.

Mas aqui a independência não se gritará, declarar-se-á. Tranquilamente, de um dia para o outro.

Seria quase irónico que Felipe V tivesse conquistado a Catalunha, e Felipe VI a deixasse escapar entre os dedos. Pelo meio 300 anos sem Felipes.

Os Catalães gostam dos Espanhóis. Isso surpreende-me. Só não gostam de ser Espanha. Vai custar um bocadinho, dizem-me.

“Mas nós gostamos quando as coisas custam um bocadinho. É por isso que diarreia não é uma coisa boa”. Demoro a perceber a analogia, e quando percebo já é tarde. Tinha levado o copo de vinho branco à boca e o riso explode-me diretamente no recipiente.

Não existe povo com expressões mais engraçadas que o Catalão. Um Catalão não diz que a torneira goteja. Diz que se assemelha à próstata de um reformado. E não se limita a fazer analogias simples. Complica-as, conferindo-lhes uma espécie de cifra risível. Não diz que algo tem duas cores. Diz que é como os olhos de David Bowie: um azul e dois castanhos. Só por isto merecem um país. Que será do tamanho da Dinamarca, mas muito mais engraçado.

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Anedota do século

por Fulano de Tal, em 08.06.15

Que nome se dá a um pato que não gosta da companhia de outros patos? Antipático

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