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Preparação para o Natal

por Fulano de Tal, em 25.12.14

Aqui em casa apetrechámo-nos com os víveres estritamente necessários para enfrentar a tormenta: Entradas várias, queijos artesanalmente manufaturados com leites de animais de espécies várias muitos deles criados em liberdade, canja (de galinha do campo, carne escura e com arroz, como manda a tradição), sopa de feijão cultivado em terras xistosas, morcela de duas proveniências distintas, o talho moderno e o talho da Batalha, camarões que embora pescados nas águas quentes de Madagáscar optámos por cozinhar em metades, cozidos e fritos, polvo no forno com alho e azeite (virgem! não mais de 0,2 de acidez, com azeitonas colhidas manualmente, pela minha mãe), magníficas postas de bacalhau assado com batatas a murro, do pousio da Carmita, carne no forno, broa de milho pela qual tivemos de esperar, em fila ordeira, pão caseiro, farófias, mousse de chocolate, bolo de chocolate, crumble de maçã, sonhos, frutos secos, bolo-rei e bolo-rainha, aperitivos, digestivos, vinhos de cores e regiões demarcadas diversas, chocolates brancos, negros e mulatos, com e sem passas, com e sem nozes e avelãs.

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Punk fofinho

por Fulano de Tal, em 25.12.14

Eu interesso-me muito por pessoas, embora raramente goste delas, e tenha perdido com o tempo a capacidade de fazer novos amigos.

Ultimamente tenho observado o punk-cota que vejo muitas vezes na minha rua. É a antítese de um punk. Terá os seus 40 anos, é anafado, careca e com uma cara fofinha. É sobretudo esta última que o faz parecer imensamente estúpido. Uma espécie de Winnie the Pooh vestido por Vivienne Westwood. Tu podes ser o Winnie the Pooh e ter imenso êxito, e podes ser o Sid Vicious e também ter imenso êxito. Mas não podes vestir o Winnie the Pooh com roupas justas da mesma forma que não faria sentido lambuzar o Sid Vicious de um delicioso mel.

Usa umas calças pretas justas com um corrente a sair do bolso de trás e provavelmente presa na outra extremidade a um cinto que não vislumbrei porque o seu estômago irremediavelmente convexo se lhe sobrepõe. Um blusão também preto, julgo que com uns dizeres atrás (talvez um logotipo dos Ramones), por cima da t-shirt preta.

Mas o que mais impressiona é a coleira de bicos. É como se alguém se tivesse servido dele para exprimir a revolta que ele próprio queria exprimir. Como se o punk tivesse deixado de ser um movimento de rejeição de valores morais, e se tivesse especializado na rejeição de valores exclusivamente estéticos.

O Niilismo estético convergiu inexoravelmente nesta criatura de meia-idade, ou à boa maneira dadaísta, é como se dezenas de adereços de péssimo gosto tivessem sido colocados num saco e retirados aleatoriamente apenas alguns para decorar este sujeito, tendo a má-sorte do gorducho ditado a coleira de picos, a corrente e as aquelas calcinhas justas muito apertadinhas que o ridicularizam.

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