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Um banco criado em 2 horas

por Fulano de Tal, em 07.08.14

Se eu fosse marketeer, andava por aí que ninguém me aturava. Filhos da mãe. Mas eu é que não me calava, não! Era o calavas. Não eu. Como os vejo para aí, quietos como ratos. Nem uma palavra. Comem-lhes as papas na cabeça e os gajos pianinho que ninguém os ouve. Havia de ser comigo, havia.

Três jarretas juntam-se numa sala e cá vai disto, monta-se um banco com nome e tudo. Então agora é assim, é? Tá boa… E o “focus group” fez-se com quem? Com as mulheres dos Marretas? Ah, e tal, elas gostaram bastante e nós… cá vai alho. Eu faço ideia a discussão dos meninos. Então e agora? O nome é Novo Banco, que é mesmo para despachar. Qual estudo de marca, qual carapuça.

Estou mortinho para ver o logotipo. Um N e um B, assim mesmo, maiúsculo em times new roman. Tá bonito? Então não está, Carlos! Eu cá gosto. Então vá, toca a pintar as sucursais todas, se possível entre as 23:00 e o quarto para a meia-noite. E não é cá preciso nenhum profissional de “decoração de exteriores”, esses totós. Manda-se lá o Gengivas e o Manel Saloio, com um daqueles tipos da máquina do Gutenberg, que acho que já era Times New Roman. Os gajos trincham aquilo com tinta plástica preta e adeus BES, olá NB.

Aposto que para não borrar a pintura destes pindéricos, o departamento de marketing do BES ficou no banco mau. Isso não é cá preciso. O que é que faz um banco? Depósitos. Então e para fazer depósitos o que é preciso? Caixas, um local para formar uma fila ordeira e um cofre.

Então e a apresentação do lettering, do guia de estilos, em que meninas de minissaia descerram plasmas onde pela primeira vez a administração pode admirar a obra dos criativos, e são percorridos por ligeiros estremecimentos de um deleite incontido pelo brilhantismo do powerpoint? Então o nervoso miudinho, uma ou outra unha roída, em antecipação da explicação que a perninha do N representa o equilíbrio vital, e as barriguinhas do B representam o ying e o yang. É à bruta, é?

Se eu fosse marketeer ia à tromba a alguém. Anos a tentar colocar algum conteúdo na profissão, a dignificar a atividade. A criar cursos e universidades, exclusivamente dedicadas ao tema. A colocar os primeiros profissionais na comissão executiva, lado a lado com aqueles paspalhos das finanças, o fateloso dos recursos humanos, e o engenheiro das operações. Anos em que a mudança de uma marca não se fazia cá de sexta para sábado. A menos que fosse a primeira sexta-feira de Fevereiro, e último sábado de Março do ano seguinte. Porque isto tinha de ser planeado, não era à Lagardére. Havia tanto para fazer. Anúncios, contratos, tanta merda. Sei lá.

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