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Temas a evitar nos meus posts

por Fulano de Tal, em 22.08.14

Checklist de temas a evitar nos meus posts

1. Tourada - Debate demasiado extremado. Pode conduzir a bloqueios e desamigamentos.

2. Homofobia - Muito visto. Desperta pouco interesse e não rende em "likes".

3. Racismo - Não existe tal coisa.

4. Futebol - Não sei se consigo evitar, mas definitivamente dosear. Amigos de longa data parecem idiotas perante este tema.

5. Combate ao piropo - Não há como discutir parvoíces com gajas histéricas e normalmente feiosas. Ups, esqueci-me do sexismo.

6. Sócrates - Ama-se ou odeia-se. Eu odeio. Nada mais há a dizer.

7. Veganismo - Ou será Naturalismo ? Aquela coisa dos hippies. Já não me lembro. Sobre ambos nada tenho a acrescentar.

8. Religião - ver Futebol.

 

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A educar o macho ibérico

por Fulano de Tal, em 16.08.14

“Onde estão as nossas mulheres?” Pergunta o Simão, da cadeirinha de trás, depois de chegarmos de uma saída a dois para falarmos “de Homem para Homem”.

Nem o facto de ter feito xixi nos calções lhe retira o ar de marialva. Receio ter exagerado nos termos em que me referi às nossas responsabilidades, aos nossos justificados anseios masculinos. Tenho em mão um putativo macho ibérico.

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O Fermat Português

por Fulano de Tal, em 16.08.14

Quando ouvi a primeira vez a história de Ricardo Rodrigues confesso que me deixei ficar pelas gordas.

Não é vulgar em mim, mas li o título e concluí rapidamente meia dúzia de coisas, de que agora me envergonho.

O título era algo do tipo "Jovem inventa sistema que permite aumentar 20 vezes a probabilidade de ganhar o Euromilhões e vai para o MIT". Eu sempre gostei muito de matemática, mas por alguma razão sempre batalhei com a estatística. Foi seguramente uma reminiscência do passado que me fez acreditar sem duvidar do potencial do Ricardo. Porque a ser verdade, Ricardo tinha conseguido dobrar uma ciência exata, e a sua descoberta revolucionaria para sempre a matemática. A probabilidade de ganhar o primeiro prémio do Euromilhões é de 1 para 116 531 800. Houvesse Ricardo encontrado forma de reduzir este rácio, e estaríamos perante uma descoberta cientifica que duraria séculos. Deitaríamos fora os velhos manuais de cálculo combinatório, e esperaríamos pacientemente pelos novos que Ricardo haveria de escrever.

Tínhamos encontrado o novo Fermat, mesmo debaixo dos nossos narizes, que é como quem diz debaixo de uma pedra em Braga. Não admiraria que o MIT o quisesse. E já agora Yale, Cambridge.

Ora, do título ao corpo da notícia vai a distância entre Pierre (de Fermat) e Ricardo (de Rodrigues). Ricardo é tao comparável a Fermat como aquele burro que aprendeu a trotar o é de um cavalo de alta-escola. Afinal Ricardo encontrou uma forma de aumentar em 20 a probabilidade de ganhar, reduzindo em 20 os ganhos. Aquilo que Ricardo inventou são aquelas fotos de uma aposta de 2 Eur que se partilharmos no Facebook, passamos a poder dividir o prémio.

Ora bolas, Ricardo. Bem sei que não tens culpa, mas ainda assim encheste o meu coração de esperança só para o despedaçares em seguida sem piedade.

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O Miguel

por Fulano de Tal, em 13.08.14

Conheci o Miguel há meia dúzia de dias. Fulano simpático, vivo e notoriamente inteligente. Dois minutos de conversa e gostei imediatamente dele. Combinámos almoçar para falarmos de oportunidades que eventualmente poderíamos explorar juntos.
Antes do primeiro prato, e porque sei que ele é o organizador de umas coisas que eu aprecio, perguntei-lhe:

"- Miguel, antes de me explicares o que fazes, diz-me lá como é que nasceu esta ideia de organizares isto ?"
"- Conheces aquele filme do Woody Allen.... Small Time Crooks ?"
"- Não."
"- Pá, é sobre um casal que quer roubar um banco, e aluga uma casa de bolachas ao lado do Banco, para a partir dalí organizarem o assalto".
"- Sim.. e ?"
"- O problema é que quando eles tomam conta da loja, as bolachas começam a vender-se. E eles nunca mais têm tempo para arrombar o banco ... (pausa... duas garfadas...)... Eu também ia assaltar o banco".

Só esta história já teria valido a pena.

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A caminho da festa da Batalha

por Fulano de Tal, em 10.08.14

Hoje fomos à festa da Batalha. Saí tranquilamente da Carvalhinha, e em menos de nada estava em Pinhal Verde. Dali à Barreira é um pulo. Subi até aos Andreus, passei por Bico Sacho e dirigi-me no sentido das Garruchas, mas virei à direita para Casal do Alho. Eis-me chegado à Batalha. No regresso optei por outro caminho. Fui na direção de Casal de Mil-Homens, sabendo de antemão que logo após a Golpilheira podia, saindo à direita, e dirigindo-me pelas Hortas, desembocar em Cevidade, de onde é simples seguir para Marvila. Logo após a placa de “Bem-vindo a Marvila e volte sempre”, temos a Cumeira. A partir dali é sempre a descer até à Mourã. Da Mourã a Casal da Cortiça é um tirinho. Virando à direita estou na Carvalhinha. Em casa, portanto.

É impossível não adorar o sentido de pertença a um lugar dos Portugueses. E a sua criatividade.

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São Pedro de Moel

por Fulano de Tal, em 09.08.14

São Pedro de Moel é uma das praias de sempre na minha vida.

Aqui os dias não amanhecem soalheiros. Antes, uma espessa neblina toma conta do areal até perto da hora de almoço. De tal forma que mal se distinguem os banhistas que distem mais de três chapéus do nosso.

Aqui a areia não é fina e branca. Estendemos a toalha sobre uma camada de pequenas pedras e conchas mal erodidas. As conchas alapam-se à pele, marcando-a.

Ninguém aqui vem ouvir o murmurar da água. Para aqui vem quem quer ouvir o trovejar da rebentação.

A água não é tépida nem se espalha num lençol calmo onde as crianças possam banhar-se. O banho está destinado apenas aos mais afoitos, e assemelha-se mais a um enérgico exercício de resistência e força.

As bolas de Berlim não são passeadas pela praia por jovens brasileiros que as entregam diretamente na toalha. Aqui são velhas locais que montam pequenas barracas nas entradas para o areal. Têm bolas de Berlim, mas com mais facilidade despacham os saquinhos de pevides e tremoços. Os bolos mais populares não são moles como bolas mas rijos como biscoitinhos de amêndoa, ou uns bolos estaladiços de amendoim, fabricados pela empresa "Toinito, lda" de Amor, cá no distrito. E todos se levantam ordeiramente para os ir buscar.

As senhoras de “pareo” sabem que têm de ir para a extremidade sul da praia. Na norte, mais próximas das pevides e da aula de aeróbica que agora anima a praça, serão olhadas de soslaio. Mais populares aqui são umas calças azuis, com umas cornucópias brancas.

Os banheiros de São Pedro de Moel são menos bonitos e musculados que que os da Caparica. Mas ninguém mete pé na água sem obter deles pelo menos um olhar de aprovação. Pelo menos uma vez por dia enfrentam o mar para resgatar um banhista a quem o atrevimento superou a inteligência.

Aqui sempre existiram umas piscinas de água salgada, bombeada diretamente do mar. Eram as melhores piscinas do país. Foi lá que parti os dentes da frente, quando perdi noção das horas e vi o meu pai com uma carranca no promontório à minha espera. Corri pelas escadas acima e catrapumba. Faliram, dizem-me. Assim com a Hot Rio, a discoteca no andar de baixo, e o Snoobar, sala de jogos. Faliu tudo e agora é apenas uma ruína abandonada que se vê da praia, com uma patética prancha de saltos sem qualquer utilidade.

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Um banco criado em 2 horas

por Fulano de Tal, em 07.08.14

Se eu fosse marketeer, andava por aí que ninguém me aturava. Filhos da mãe. Mas eu é que não me calava, não! Era o calavas. Não eu. Como os vejo para aí, quietos como ratos. Nem uma palavra. Comem-lhes as papas na cabeça e os gajos pianinho que ninguém os ouve. Havia de ser comigo, havia.

Três jarretas juntam-se numa sala e cá vai disto, monta-se um banco com nome e tudo. Então agora é assim, é? Tá boa… E o “focus group” fez-se com quem? Com as mulheres dos Marretas? Ah, e tal, elas gostaram bastante e nós… cá vai alho. Eu faço ideia a discussão dos meninos. Então e agora? O nome é Novo Banco, que é mesmo para despachar. Qual estudo de marca, qual carapuça.

Estou mortinho para ver o logotipo. Um N e um B, assim mesmo, maiúsculo em times new roman. Tá bonito? Então não está, Carlos! Eu cá gosto. Então vá, toca a pintar as sucursais todas, se possível entre as 23:00 e o quarto para a meia-noite. E não é cá preciso nenhum profissional de “decoração de exteriores”, esses totós. Manda-se lá o Gengivas e o Manel Saloio, com um daqueles tipos da máquina do Gutenberg, que acho que já era Times New Roman. Os gajos trincham aquilo com tinta plástica preta e adeus BES, olá NB.

Aposto que para não borrar a pintura destes pindéricos, o departamento de marketing do BES ficou no banco mau. Isso não é cá preciso. O que é que faz um banco? Depósitos. Então e para fazer depósitos o que é preciso? Caixas, um local para formar uma fila ordeira e um cofre.

Então e a apresentação do lettering, do guia de estilos, em que meninas de minissaia descerram plasmas onde pela primeira vez a administração pode admirar a obra dos criativos, e são percorridos por ligeiros estremecimentos de um deleite incontido pelo brilhantismo do powerpoint? Então o nervoso miudinho, uma ou outra unha roída, em antecipação da explicação que a perninha do N representa o equilíbrio vital, e as barriguinhas do B representam o ying e o yang. É à bruta, é?

Se eu fosse marketeer ia à tromba a alguém. Anos a tentar colocar algum conteúdo na profissão, a dignificar a atividade. A criar cursos e universidades, exclusivamente dedicadas ao tema. A colocar os primeiros profissionais na comissão executiva, lado a lado com aqueles paspalhos das finanças, o fateloso dos recursos humanos, e o engenheiro das operações. Anos em que a mudança de uma marca não se fazia cá de sexta para sábado. A menos que fosse a primeira sexta-feira de Fevereiro, e último sábado de Março do ano seguinte. Porque isto tinha de ser planeado, não era à Lagardére. Havia tanto para fazer. Anúncios, contratos, tanta merda. Sei lá.

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Avaliação de professores

por Fulano de Tal, em 06.08.14

Bem, vamos ao tema odioso da semana. Houve um tempo em que as provas de avaliação dos professores (apenas os contratados com menos de 5 anos de serviço) foram ridicularizadas, por serem de uma simplicidade que rondava a afronta. Eu também alinhei nisto.

A simplicidade era tal que a mim me pareceu uma afronta.

Acontece que 14% dos professores chumbaram. Quatorze em cada cem. A média, entre professores, de uma prova que devia ser respondida com facilidade por qualquer aluno do 6º ano, é de 65%. Não é brilhante.

Mas pronto, passaram, passaram, podem limpar as mãos à parede com o resultado.

Era agora o tempo de refletir sobre estes resultados, e as consequências dos mesmos para o projeto de país que temos. Mas não. Discute-se se os erros se devem à nova grafia imposta pelo acordo ortográfico. Discute-se a validade da prova.

Acontece que a prova teve lugar, e os resultados são conhecidos, e os gajos chumbaram. OS GAJOS CHUMBARAM, MÁRIO! Cerca de 1500 professores chumbaram. Isto dá, a 20 docentes por escola (cálculo que não faço ideia se é real), para fazer 75 escolas, 4 e picos por distrito, cheias destes professores, onde poderão estudar os filhos de quem acha que a prova é estúpida. Estes garotos, cerca de 15 mil (pelas minhas contas de 200 por escola, outro cálculo que merecia melhor estimativa), não saberá preencher um formulário, perder-se-á na rede de metro, nunca acertará a tabuada para além do 4, e interrogar-se-á toda a vida sobre a importância de um livro, ou o sentido da miserável existência a que a formação a que os seus pais os submeteram os condenou irremediavelmente.

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