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No caso de despressurização

por Fulano de Tal, em 11.07.14

Vou para Washington no Domingo. Estava aqui a planear a ida e, como sempre, existe uma coisa que me aflige nos voos como o raio que me parta. Não, eu não tenho medo de voar. Sentar-me naquela lata de 60 toneladas e voar, aliás fascina-me de cada vez como se fosse a primeira. Como diabos é que isto é possível? Os primeiros minutos fico sempre em silêncio e deslumbramento: "Porra...".

Mas há um momento que mesmo a dois dias de distância já começa a angustiar-me. É naquela altura das explicações do que fazer quando o avião cair (risos nervosos). Quando a menina fala das máscaras que vão cair em caso de despressurização. Talvez nunca se tenham apercebido, mas há um momento, são breves segundos, mas ele está lá sempre, em que a menina diz: "No caso de viajar com crianças, coloque sempre a sua máscara primeiro".

Que se lixem as crianças, subentendo eu.

Antes mesmo dela dizer aquilo já eu estou todo crispado. Bem sei a razão disto, mas ainda assim, aquilo cai-me mal como o raio. Logo eu, que era capaz de cortar a cabeça ao gandulo do 23F só para sair primeiro que ele caso o avião caia.

Dura apenas um segundo mas olho à volta, à procura de crianças, e imagino-as a sangrar do nariz, com os tímpanos a rebentar e a sufocarem da falta de oxigénio, enquanto os progenitores, todos lampeiros, colocam a máscara, se olham ao espelho para aferir da fotogenia, e riem alarvemente da sua condição, olhando um para o outro, alheios ao sofrimento dos petizes.

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