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Certificação na Engenharia Civil

por Fulano de Tal, em 10.02.14

Caramba, é bem verdade que o Mundo acelerou nos últimos anos. Até nos domínios mais insuspeitos, onde se pensa que há pouco espaço para a criatividade e que o conhecimento é tão sólido que grandes transformações, doravante se farão por pequenos incrementos, em longos períodos de tempo, como a Engenharia Civil.

Corria 1992, e vem isto a propósito da cobertura de um estádio (naquela altura não se chamava "cobertura" mas sim "pala"). Maravilhosa década de 90, tanta ingenuidade na terminologia. Mas dizia eu, a propósito da cobertura de um estádio, reparem bem na quantidade de procedimentos inúteis que tiveram lugar (a expressão "inúteis" uso-a agora com toda confiança, dada a celeridade com que hoje em dia se certifica uma estrutura quando comparado com aquele vagaroso verão em que a engenharia civil nos entrou pelas televisões adentro e aprendi, para não mais esquecer, a dizer "betão pré-esforçado", "fissurómetro" e "pilarete"):

1. Relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, apontando para risco de queda.

2. Despacho da Secretaria de Estado da Cultura, interditando a bancada.

3. Chamou-se então o Imhotep Português, o mais genial Engenheiro Civil da nossa história para, de forma independente, avaliar a estrutura, Edgar Cardoso.

Foram semanas de Universo Sportinguista em suspenso. Procedimentos inúteis, sei-o agora. Tudo em nome da (entre aspas) "Engenharia Civil". Está mais que comprovado que uma ciência exata que se preze, prescinde com facilidade de tais vistorias, despachos, relatórios e procedimentos. Hoje chama-se a melhor empresa de construção naval e obtém-se a declaração (ou melhor, certificação):

"A Martifer garante (...) 'cross my heart and hope to die' (...) de forma expressa e incondicional, a segurança".

Pessoalmente gostava bastante mais das declarações mais humanizadas do Eng. Edgar Cardoso "A pala é mais segura que o viaduto Duarte Pacheco". E custa-me que não existam imagens dos engenheiros da Martifer a pular na cobertura do estádio da luz. Penso que uns valentes pulos, preferencialmente por um engenheiro badocha, era o conforto que todos nós merecíamos. Mas em nome do progresso, percebo que seja um folclore desnecessário.

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