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Jogos Olímpicos de Inverno

por Fulano de Tal, em 23.02.14

Olímpica indiferença.

Não consigo extrair de mim nada mais que isto quando penso nos jogos de Sochi. Não sei o nome de nenhum medalhado olímpico. Não me entusiasmo com Curling, Slalom Gigante ou Bobsleigh. Nem sei se é Sochi ou Socchi ou Socchii ou mesmo Soxi. Não sei onde fica, para além de me terem dito que era na Rússia.

A minha olímpica indiferença é inversamente proporcional ao olímpico entusiasmo com que acompanharei os jogos do Rio. Deitar-me-ei tarde, saberei o nome e apelido de todos os finalistas dos 100m. De alguns saberei até a filiação de pai e mãe. Vibrarei pela primeira vez com desportos que não acompanho regularmente. Pararei horas para assistir a uma partida de badminton entre uma chinesa e um eslovaca.

Hoje procurei estimular-me com a delegação Portuguesa. Talvez, mesmo não apreciando as modalidades, pudesse eu encher-me de brio nacional e torcer pelo Arthur Hanse, puxar por ele, entoar a Portugu.. Arthur ? Hanse ? Com certeza será filho de Portugueses, como tal tão Português como eu ou aquele senhor a beber a bica ali em frente. Ele e a Camille Dias, a outra atleta, essa sim também me fará vibrar com as cores de... Camille ?

Os Portugueses estão para os Jogos Olímpicos de Inverno como a Mulher de Barba e o Anão Disparado por um Canhão estão para a comunidade não-circense.

Não vale a pena. Mais freak que nós só a representação de Timor Leste.

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Método indutivo

por Fulano de Tal, em 21.02.14

Acabei de ser apanhado por umas colegiais de não mais de 13 anos, que andam a fazer um inquérito, provavelmente para um trabalho da escola. Para além das perguntas de controlo, "qual a sua idade", "onde vive", etc... vinham armadas das seguintes questões:

"Esta crise leva-o a pensar em emigrar ?" e "Acha que o desemprego está associado à crise ?"

"Terão grande futuro académico", previ-lhes gratuitamente, como bónus da minha participação. "É mesmo destas perguntas que se faz o método indutivo"...

"Hã ?"

"Sim, conclui-se uma verdade a partir de uma observação sensorial, assente na vossa própria vivência e experiência, e depois constrói-se um questionário que valide essa verdade. Podia até vir pré-preenchido", digo-lhes eu pensando ter bastante graça.

Afastam-se cabisbaixas. Espero que não me culpem se a vida delas der uma volta e acabarem drogadas e a prostituir-se, emigradas em Madrid.

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Co-adopção

por Fulano de Tal, em 20.02.14

Sobre a co-adopção. Ontem passava num dos canais a história do Martim, menino que tinha duas mães: a mamã, e a mãe. Perante isto o comentário do Simão foi "que sorte!". Ora isto não me faz sentir particularmente bem, mas poderia ser explicado aos ultra-jotas.

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Certificação na Engenharia Civil

por Fulano de Tal, em 10.02.14

Caramba, é bem verdade que o Mundo acelerou nos últimos anos. Até nos domínios mais insuspeitos, onde se pensa que há pouco espaço para a criatividade e que o conhecimento é tão sólido que grandes transformações, doravante se farão por pequenos incrementos, em longos períodos de tempo, como a Engenharia Civil.

Corria 1992, e vem isto a propósito da cobertura de um estádio (naquela altura não se chamava "cobertura" mas sim "pala"). Maravilhosa década de 90, tanta ingenuidade na terminologia. Mas dizia eu, a propósito da cobertura de um estádio, reparem bem na quantidade de procedimentos inúteis que tiveram lugar (a expressão "inúteis" uso-a agora com toda confiança, dada a celeridade com que hoje em dia se certifica uma estrutura quando comparado com aquele vagaroso verão em que a engenharia civil nos entrou pelas televisões adentro e aprendi, para não mais esquecer, a dizer "betão pré-esforçado", "fissurómetro" e "pilarete"):

1. Relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, apontando para risco de queda.

2. Despacho da Secretaria de Estado da Cultura, interditando a bancada.

3. Chamou-se então o Imhotep Português, o mais genial Engenheiro Civil da nossa história para, de forma independente, avaliar a estrutura, Edgar Cardoso.

Foram semanas de Universo Sportinguista em suspenso. Procedimentos inúteis, sei-o agora. Tudo em nome da (entre aspas) "Engenharia Civil". Está mais que comprovado que uma ciência exata que se preze, prescinde com facilidade de tais vistorias, despachos, relatórios e procedimentos. Hoje chama-se a melhor empresa de construção naval e obtém-se a declaração (ou melhor, certificação):

"A Martifer garante (...) 'cross my heart and hope to die' (...) de forma expressa e incondicional, a segurança".

Pessoalmente gostava bastante mais das declarações mais humanizadas do Eng. Edgar Cardoso "A pala é mais segura que o viaduto Duarte Pacheco". E custa-me que não existam imagens dos engenheiros da Martifer a pular na cobertura do estádio da luz. Penso que uns valentes pulos, preferencialmente por um engenheiro badocha, era o conforto que todos nós merecíamos. Mas em nome do progresso, percebo que seja um folclore desnecessário.

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