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Porque nunca atendo um carteiro

por Fulano de Tal, em 05.12.13

Alguém me contou um dia a história de um recrutador que de cada vez que publicava um anúncio recebia centenas de candidaturas. Empilhava os currículos aleatoriamente, pegava em metade e deitava-os no lixo. Justificava-se dizendo que "não queria oferecer aos seus clientes candidatos sem sorte".

Lembrei-me muitas vezes desta história quando no Sporting jogava um defesa central chamado Quiroga. Era só classe e bom futebol. Saía a jogar. Jogava de cabeça levantada. Fazia passes teleguiados a 40 metros de distância. Era elegante. Mas tinha azar. Em cada jogo, naquele único lance, o Quiroga falhava clamorosamente e o Sporting sofria golo. O azar dos candidatos assemelha-se ao azar do Quiroga.

E ambos se assemelham ao azar dos carteiros dos CTT que me vêm trazer cartas registadas. Nunca me encontram. "Não atendeu" diz o papel. Invariavelmente. Devo ter recebido ao longo da vida mais de uma boa centena de cartas registadas, e nunca, nunca atendi o carteiro que as trazia. Mesmo quando estava em casa, atento à campainha.

Estou convencido que esta é uma estratégia delineada pela cúpula do marketing, para obrigar os destinatários a ir à loja. Uma carta registada equivale a dois potenciais clientes da bijutaria na loja. Remetente e Destinatário. Talvez um deles se interesse por aquele livro com capa grossa e lindas imagens de azulejaria, ou coudelaria.

A restante classe retalhista está ainda a contratar vitrinistas para atrair clientes, mas os CTT estão adiante na disciplina do retail marketing.

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