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Educação

por Fulano de Tal, em 26.10.13

"Papa, me das una moneda ?"

"Te doy una moneda para cuando veas un pobre. Pero no para eso"

 

Diálogo hoje no Aeroporto de Bruxelas, entre um aparentemente abonado espanhol e o seu fedelho de 8 ou 9 anos. Educação.

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Europeu de ténis de mesa

por Fulano de Tal, em 15.10.13

Acompanhei com muita atenção o Europeu de Ténis de Mesa, onde Portugal atingiu resultados francamente bons. A Portuguesa Fu Yiu, por exemplo, que na meia-final bateu a Espanhola Wang Tang, foi uma das grandes revelações. Se não existisse uma Dinamarquesa da qualidade de Miyi Liang, teria sido concerteza diferente. Também a dupla Portuguesa, Liu Tau e Wei Mei avançou até onde pode, só sendo travada pelos Suecos, Mai Tai e Ang Lee. A Suécia aliás continua a apresentar bons resultados, com vários atletas colocados nas primeiras posições: Li Lee, Mi Mee e Co Coo, que se superiorizaram aos já veteranos Xi Xii, Pi Pii e Fo Foo, da Eslováquia, Finlândia e Reino Unido, respetivamente.

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45 kwanzas compram 4 rolos de papel higiénico ou o Jornal de Angola, o único jornal diário do país, mas que apesar dessa vantajosa condição, tem uma tiragem de cerca de metade do Correio da Manhã.

Eu, mesmo que tivesse os tais 45 kwanzas no bolso, e por mais que desejasse informar-me do paradeiro de Anselmo Ralph, ou do estado de saúde de um qualquer ditador da América Latina, jamais os estouraria no Jornal de Angola. Só vejo vantagens, neste dilema económico, no Suave de folha dupla, abundante em Luanda. Mas admito estar enganado. Afinal, do Jornal de Angola apenas conheço os editoriais, dos quais posso estar a fazer um juízo escatológico que me impede de ver valor no resto do jornal.

Se o objetivo do gajo que assina aquilo é chatear-me, parabéns. Como posso expressar isto preservando a dignidade do Jornal ? ... hum, metem-me nojo. Leio aquilo, e revolta-me. Todos os meus amigos Angolanos sentem o mesmo, ou seja, sendo absolutamente asquerosos, os editoriais não representam sequer uma opinião dominante em Angola, nem refletem, de forma alguma, aquilo que os Angolanos sentem pelos Portugueses, ou que os Portugueses sentem pelos Angolanos. Os de "medianamente inteligentes" para cima, bem entendido.

Tirando tudo aquilo que todos (sempre de "medianamente inteligente" para cima) percebem que o Jornal de Angola está a tentar fazer, acrescento isto: está a dar razão aos estúpidos que repetem os clichés sobre Angola e África, representando os Africanos e os Angolanos mais ou menos como nós imaginamos que possa ser o Editor do Jornal de Angola, depois de ler as peças que ele vomita.

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O que eu penso da Moda Lisboa

por Fulano de Tal, em 12.10.13

Existem 5 pessoas em Portugal que acreditam que eu sou um verdadeiro idiota. Uma delas és tu. As restantes 4 são os diretores de programas dos canais generalistas. Só assim se explica esta tentativa anual de me "venderem" a Moda Lisboa como um grande acontecimento mediático, com diretos de meia em meia hora, porque mais uma banalidade qualquer acaba de acontecer. Assisto incrédulo e boquiaberto a estes acontecimentos, profusamente noticiados ao longo do dia, e com honras de abertura de todos os telejornais: meninas a falar ao telefone com bananas, meninas com uma mascarilha à Zorro mas com as cores do movimento LGBT, meninos a pentear meninas, meninas a pentear meninos.

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Estação de Correios

por Fulano de Tal, em 08.10.13

Faz tempo que não ia a uma estação de correios. Recomendo vivamente.

Por vezes pensamos que o resto do país é igual a nós e ao nosso círculo de amigos, tem as mesmas ambições que nós temos, se pauta pelos mesmos valores. Pensamos que todos usam smartphones. Que sabem preencher formulários. Por isso temos dificuldade em perceber esta discussão das pensões de viuvez, do RSI, e da razão pela qual Portugal não se desenvolve. As estações de correios fazem-nos cair na real. É como brincar aos pobres, mas sem ir à Comporta.

Quatros postos de atendimento:

1. Para Atendimento Geral

2. Para Atendimento Geral

3. Para Atendimento Geral

4. Para Atendimento Geral

Todos devidamente identificados. Fila única e ordeira. 3 idosos, um adolescente, um senhor com os paramentos do café da esquina. Apesar dos 4 postos, 2 meninas, já entradotas. Falam aos clientes como se estivessem a falar com idiotas. Tanto assim, que eu para me integrar, comporto-me como um idiota.

O primeiro idoso, acompanhado da esposa, quer um telemóvel. A menina do guichet grita-lhe as condições gerais. Ouve mal. Mais tarde aperceber-me-ei que ela continuará a gritar a todos os clientes, incapaz de mudar o registo de "idoso com problemas auditivos" para "adolescente com problemas hormonais" ou mesmo, chegada a minha vez, "sujeito bem parecido com uma carta para enviar para o estrangeiro".

O idoso não conhece o termo portabilidade, tal como eu desconhecia que nos correios se executavam estes arranjos. A gritaria desenrola-se com a funcionária a detalhar as qualidades do telefone. Adjetivos que parecem interessar especialmente ao idoso são: "Simples" e "Leve". Em nenhum momento a palavra Internet apareceu.

Na caixa 2 uma idosa grita: "Onde é que eu assino ?". Nas mãos tem um papel com algumas coisas impressas e um espaço em branco precedido da expressão "Assinatura:". O octogenário atrás de si impacienta-se. Assim como o adolescente borbulhento, e eu. O homem do café permanece impávido. É o mais tranquilo do nosso grupo, e aparenta não estar para conversas.

Ultrapassada a formalidade da assinatura, a funcionária conta as notas da pensão: 10, 20,... 100, 200,... 500, e vinte e sete, e quarenta e três cêntimos. Ainda não lhe passou as moedas de cêntimos para as mãos e logo pergunta "Quer levar uma lotaria, Senhora Albina? São só 5 Euros". Também desconhecia que aqui se vendiam lotarias, e desconfio da pergunta feita a uma idosa que acabou de levantar 527,43 Euros, que deverá chegar até ao dia 10 do próximo mês. Não quer a lotaria. Quando chegar a minha vez, não me perguntará pela lotaria. Pergunto-me se eu não encaixo no perfil.

O primeiro idoso acaba de ligar o telemóvel com o seu cartão, e recebe 17 mensagens. Risos no balcão de atendimento, e olhares divertidos para a fila. Como se o tempo tivesse parado. A receção de SMS's é a prova de vida do aparelho, que segue assim com o seu novo dono.

É a vez do jovem adolescente. A funcionária continua aos gritos, mas trata o rapaz por tu.

"Mas tu és o destinatário ou o remetente ?"

... o rapaz fica confuso. "A encomenda é para mim".

"Então és o destinatário".

Encolhe os ombros em sinal de se-tu-o-dizes. O rapaz quer saber se a encomenda dele vai chegar. Isso mesmo... se vai chegar. Como pode a funcionária saber ? gera-se uma situação de potencial conflito, o rapaz é ciente dos seus direitos, que não devem ser negados nem ao mais estúpido dos adolescentes. A funcionária procura educadamente explicar que nada sabe da encomenda, mas o tom em que continua a gritar é enganador. O rapaz que já havia demonstrado nada dever à inteligência, demonstra agora nada dever à inteligência emocional. A situação desenrola-se perante o resto do grupo. O octogenário aparenta estar a urinar-se, o empregado de balcão a marimbar-se, e eu, ali.

Mais uma pensão para o octogenário. Também não quer lotaria.

O adolescente mesmo que quisesse não levaria qualquer cautela.

O meu envelope, almofadado, custa 5 Euros e picos, mas não têm multibanco.

Faz tempo que não ia a uma estação de correios. Das pessoas que lá encontrei apenas eu queria um serviço "postal". É-me estranho que por lá se vendam lotarias, livros, vias verdes e telemóveis. Mais estranho ainda as táticas de bazar marroquino, os scripts de vendilhão. Surpreende-me que as pessoas não saibam onde assinar, que tenham problemas com formulários simples, que tenham preocupações estúpidas, que não saibam o significado de destinatário e remetente, que se alheiem da miséria alheia.

Não recomendo a ninguém ir a uma estação de correios.

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Oferta de emprego

por Fulano de Tal, em 03.10.13

Quando uma empresa demonstra interesse no nosso talento, e nos querem contratar a todo o custo, é motivo de orgulho. Mesmo que não queiramos aceitar.

Está neste momento a passar-se comigo e estou mesmo, mesmo inchado: uma grande empresa do ramo petrolífero, presente em mais de 30 países quer contratar-me. Querem-me desesperadamente. Acho que não sobreviverão mais um dia sem mim. Eles são insistentes, dizendo-me que precisam de mim para "resolver os problemas energéticos do Mundo".

O que me intriga é o canal que encontraram para me recrutar: o Arkanoid no Windows Phone. Sempre que estou a jogar, lá vêm eles insistir comigo: manda o CV, grandes problemas energéticos precisam de grande talento, manda o CV. Statoil, é o nome da empresa e podem consultar em www . statoil . com

Não percebo bem qual o critério para uma grande empresa petrolífera usar este meio de recrutamento. Talvez se tenha descoberto, e cientificamente demonstrado, que quem joga Arkanoid tem alguma capacidade especial para resolver problemas energéticos, quem sabe ? Alguém me pode aconselhar ? Devo aceitar ?

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