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Vueling é a nova Espanha

por Fulano de Tal, em 29.09.13

Paola e Bernardo são namorados. Vão de férias a Turim, e enquanto ela quer ver o museu egípcio, ele acha uma perda de tempo ver múmias. Discutem à entrada, sendo observados de longe por Denny.

Paola sai sem rumo, chorando. Bernardo fica. Denny segue Paola, e adiante aborda-a e convida-a a tomar um bicerini. Mais tarde leva-a a ver o Museu, à praia, e à percepção de que Bernardo não é o par ideal. Já depois de se entregarem à paixão, Paola pergunta:

"Denny... é o diminutivo de quê ?"

"Denise, mas soa-me demasiado delicado. Sou filha única."

in Ling (revista da Vueling que pode ser consultada, incluindo esta história mas na sua versão integral, em http://www.lingmagazine.es/septiembre13.html).

Pessoalmente não gosto nada de companhias low cost. De coisa nenhuma, e em especial de aviação. Mas tenho de dar o braço a torcer no caso da Vueling. Os vôos da Vueling são Espanha a 36 mil pés, com duas excepções: Espanha é desafogada, e o meu 29C era curto nas pernas, e a selecção musical não incluía nenhum hit em língua castelhana. Em tudo o resto... Duas aeromoças corpulentas, maestras na utilização do eyeliner e de lábios perfeitamente desenhados a lápis. Nomes? Macarena y Estefania, ou assim rezavam as placas que traziam ao peito. Puseram na ordem em três tempos duas velhas que apesar de se saberem incontinentes preferem ir à janela.

A ementa, à carta, incluía por 5,50 euro, a Vueling Box. Conteúdo? Bolachas de água e sal, gressinos, pack de azeitonas e amêndoas torradas, paté ibérico Pedro Ximenez, creme de queijo fundido e uma barra de Twix. Não fosse isto Espanha e estou certo que teria estranhado o pack de azeitonas e amêndoas torradas. Depois a Ling.

A Ling é uma Espanha sofisticada. Não é o Pedro Ximenez do paté ibérico, ou a azeitona. São os novos valores de Espanha.

Já coloquei acima o primeiro exemplo. Tolerância. Agora o segundo. Parece que existe uma empresa Vizcaina que se chama Bajoelagua. Como o nome insinua, dedica-se a toda a sorte de atividades subaquáticas. Quiseram investigar relatos que davam conta da excelente evolução de vinhos recuperados em destroços de navios afundados. A ausência de luz, a temperatura sem grandes alterações, e o leve oscilar das ondas arredondam os taninos, adensam a cor, dotando o vinho de um valor comercial único. Construíram a primeira adega subaquática onde o vinho estagia cerca de um ano após seis meses em barrica. Vendem-no por 500 Dólares/garrafa em mercados como a Rússia ou o Asiático.

A Espanha que inova sem romper com o seu passado.

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