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João Maia Abreu em Itália

por Fulano de Tal, em 25.02.13

Ainda o Cardeal O'Brien tentava varrer a púbis de jovens sacerdotes para debaixo do tapete, logo saltam umas meninas em topless sobre o Berlusconi. Itália merecia um grande cartaz no Aeroporto de Fiumicino "Bem vindo a Sodoma". Hesitei sobre "& Gomorra", mas em Sodoma todos suspeitamos o que se terá passado, e Gomorra para mim sempre foi uma grande incógnita. Jogo pois pelo seguro.

No meio disto o João Maia Abreu. Mandaram o mais totó de todos os jornalistas para esta dupla tarefa: Conclave e Eleições. É como ser celibatário, e de repente ver-se envolvido numa orgia logo pela manhã e outra pela tarde. Sem direito a um reconfortante banho de espuma pelo meio. Estou convencido que ele está a confundir as duas histórias.

Não percebo que os cardeais se envolvam em politiquice de polichinelo, nem que os Italianos precisassem de um palhaço real, quando tinham Berlusconi. Eh pá, e alguém que lhe dê uma palavrinha sobre aquele cabelo. João, eu sou uma autoridade nesta matéria e posso assegurar-te que a tua carreira depende de duas palavras: "máquina zero". Vai por mim.

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António José Seguro

por Fulano de Tal, em 18.02.13

Mal o trem de aterragem tocou o solo em Bruxelas percebi que não tinham sido despiciendos os estragos na fuselagem do Airbus, causados pela turbulência durante o vôo.

Do meu lugar de coxia consegui perceber a enorme cratera que se abriu precisamente no passadiço ao meu lado. Apesar do pânico que se apoderou de todos, eu mantive-me estranhamente calmo. Os meus pensamentos não foram para os meus filhos. Não revi em instantes o filme da minha vida. Entre os gritos e empurrões, eu continuei focado naquele buraco a meus pés, onde já cabia um homem pequeno.

Foi então que o vi, o homem pequeno, deslizando sem socorro por entre o apinhado de gente que agora se acotovelava e lutava pela posição junto das portas de emergência. Também ele parecia estranhamente calmo, apesar de estar numa situação bem mais difícil que a minha, porque a aeronave estava longe de estar imobilizada e em segundos ele seria sugado pela cratera. Enquanto se aproximava apercebi-me das suas feições. Parecia mais novo do que a idade que efectivamente devia ter. Cabelo crespo, quase encarapinhado, e impecavelmente vestido, o que não deixou de contar para mim como um contra-senso, atendendo à sua frágil situação e à aparatosa queda que o tinha projectado a uma distância de mais de 15 filas do local onde esteve sentado durante o vôo. Ele nas filas iniciais e eu na 27. D, coxia. O seu rosto não mostrava receio. Apenas parecia buscar mentalmente uma explicação para a sua bizarra condição.

Mas em segundos, é difícil de encontrar uma ideia original nos inúmeros compartimentos do cérebro. Foi então que percebi quem era este pequeno homem. Tinha-o visto durante o embarque. Impossível não reparar nas caras conhecidas que tomam o vôo da manhã das segundas feiras para Bruxelas. Lá estava Paulo Rangel. Também reconheci o Carlos Coelho, carregado de documentos impressos que parecia mesmo interessado em ler, ou talvez reler, atendendo a que a maior parte destes documentos já estava rabiscada por uma diligente mão. E ele. Um homem pequeno, rodeado de um séquito de homens sorridentes e sequiosos de atenção. António José Seguro. O mesmo que agora deslizava pelo passadiço em direcção ao abismo e à morte certa. Tive um vislumbre de um pedido de ajuda quando o seu corpo roçou a minha perna e mergulhou no vácuo, pela cratera aberta justamente à sua medida.

Grumpfff!!!

Acordei cedo para apanhar o vôo das 7:05 para Bruxelas. Ainda o avião estava a iniciar a sequência de arranque dos motores já eu compensava as horas mal dormidas. Acordei com o simpático bater das palmas à chegada. Aquelas palmas que só os Portugueses batem, e que me despertaram de um sonho estranhamente reconfortante. Duas dezenas de cadeiras mais à frente lá estava o António José Seguro. Tinha-o visto na partida, a cumprimentar efusiva e superiormente dois homens infinitamente mais inteligentes que ele: Carlos Coelho e Paulo Rangel. Eles, com pesadas pastas a rebentar de documentos que estou certo, ou leram, ou escreveram eles próprios. Ele, com impecáveis sapatos italianos, bicudos, e camisa impecavelmente branca. Dois pagens carregavam pastas que pareciam dele, vazias. É curioso como nunca tinha pensado nisto, mas ao vê-lo pavonear a boa forma, quer antes, quer durante o vôo, lembrei-me dele quando era gordo. Porque ele antes de ser magro era gordo. Emagrecer, tal como tudo nesta personagem, fez parte da sua estratégia de ataque ao poder. Não era importante enquanto lambia as botas do líder, mas se queria ser líder, António tinha de emagrecer.

E agora vê-lo alí a passar a mão pela crespa cabeleira enquanto falava com o alopécio Carlos Coelho, ou estender o liso abdómen de forma quase ostensiva perante o anafado Paulo Rangel, fez-me pensar que seria bom se uma cratera do tamanho de um homem pequeno se abrisse na fuselagem do Airbus, e engolisse a nova figura do António José.

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Posição de força

por Fulano de Tal, em 01.02.13

Nesta semana aconteceu um episódio curioso. A CP lançou um caderno de encargos para a contratação de serviços de publicidade. 13 empresas levantaram o caderno de encargos até se aperceberem que ao volume de serviços contratados correspondia uma contrapartida financeira de 4,9 Euros / hora. Isso. 4,9 Euros. Por hora.

A associação do sector escreveu uma carta à administração da CP alertando-a para o facto de essas serem contas impossíveis. As 13 empresas abandonaram o concurso. A CP não gastou a massa, e se querem a minha opinião, os comboios andarão à mesma velocidade e com o mesmo número de passageiros durante 2013. Não é isso que me apoquenta.

O que me tira o sono há anos é esta… coisa… de as empresas, e os empresários, e os gestores e agora os directores de segunda linha, qualquer gato pingado, e toda a gente, literalmente toda a gente que tem de gastar uns tostões em Portugal, achar que, como estamos em crise, podemos abusar uns dos outros. E tira-me o sono pensar que há sempre alguém disposto a ser abusado.

É por isso que esta iniciativa da associação do sector, e a atitude em bloco subsequente das suas associadas, é histórica. Que tenha muita vergonha a empresa que a CP desenterrar debaixo de uma pedra e que aceite aquelas condições.

Dizia a directora de marketing da CP, a este propósito “A CP é uma empresa pública. Gere recursos que objetivamente não lhe pertencem. Que pertencem aos portugueses. A todos os portugueses. E por isso, sim. Somos cuidadosos na contratação. Tentamos sempre fazer o melhor ao melhor preço. E quando alguém insinua avareza na contratação de serviços está a elogiar a nossa filosofia de gestão.”

Ora, eu não conheço nenhum empresário que após fundar uma empresa se tenha fixado no posto de director de marketing. Assumo pois que todos ou a esmagadora maioria dos directores de marketing, mesmo em empresas que não são públicas gerem “recursos que objectivamente não lhes pertencem”.

Objectivamente, esta aproximação mesquinha ao que de mais mesquinho existe em “todos os Portugueses” não colhe portanto. Se esse argumento é repelente, o que dizer então daquela última e assassina frase… “quando alguém insinua avareza na contratação de serviço está a elogiar a nossa filosofia de gestão”. Filosofia de gestão?! Filosofia de gestão seria a CP assumir que com a massa que tem disponível, não consegue contratar uma equipa de 3,9 criativos. Que teria de abdicar de alguns dos seus projectos. E fazer os que restavam com a qualidade que os seus accionistas, “todos os Portugueses”, exigem.

Espero sinceramente que esta posição das empresas de publicidade faça escola. Eu farei a minha parte.

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