Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Diamantes de Sangue

por Fulano de Tal, em 04.01.13

Comprei e li o livro "Diamantes de Sangue" do jornalista Angolano Rafael Marques. O tal cuja publicação alguns generais Angolanos tentaram impedir judicialmente. Culpados ou inocentes, julgo que os ditos generais ficaram sem outra opção.

O assunto é sério, e o Rafael Marques não é do tipo de se deixar entreler, ou de insinuar. Ele coloca os nomes e patentes, bem como os crimes de que os acusa: homicida este, torturador aquele, corruptos todos.

Tirando as acusações de violação de alguns preceitos legais que me parecem menores em face de tudo o que é escrito, e que são corroboradas por evidências indisputáveis, tudo o resto é baseado em "fulano disse isto ou aquilo", ou "beltrano ouviu dizer a uma velhinha que aqueloutro tinha feito e acontecido".

Como não sabia o que pensar sobre diamantes e generais e velhinhas, entreti-me com as histórias. O melhor do livro são as histórias.

Vejam esta: duas comunidades ficaram totalmente isoladas por as estradas circundantes terem sido privatizadas em função do seu interesse para a exploração diamantífera. Tximbulagi e Ngonga Ngola são o nome dessas povoações. A única alternativa de ligação destas comunidades ao resto da província, sendo as estradas interditas à circulação desde a dita privatização, é fazer a travessia do Cuango de ... bóia. Precisamente na zona de maior corrente, uma bóia dirigida por cordas atadas a árvores de um lado e de outro do rio, permite transportar 6 pessoas (a bóia tem uma lotação de 4) pelas águas revoltosas. A zona é a de maior corrente, não por acidente ou perfídia de algum general, mas por ser a única livre de jacarés, que pelos vistos também não apreciam correnteza por aí além. Humilhados e isolados, sem respostas quer da administração provincial quer da própria empresa diamantífera, os locais revoltaram-se e estipularam a sua reivindicação em carta enviada ao director de operações da tal empresa: queriam ...uma bóia em condições. Ora, o tal capataz recusou aceder a tamanha exigência, com o aval (diz-se) da administração, que apenas mais tarde viria a recuar nessa détente, oferecendo uma bóia de 2 lugares.

Cansados destas disputas os sobas locais reuniram fundos e compraram eles próprios uma bóia em condições, desconhecendo-se (eu pelo menos) se essa bóia ainda se encontra no activo.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor